Porto Alegre, 10 (AE) - As afirmações do governador de Mato Grosso do Sul, José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT - que chamou de "Clube do Bolinha" as reuniões ocorridas até agora entre chefes de Estado para discutir as dívidas com a União -, provocaram mal-estar na frente das esquerdas. O governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), disse que não aceitará "pressões" para participar de um fórum que reúna todos os governadores do País, com o objetivo de negociar os problemas dos Estados com a União.
"Não constrangemos ninguém a participar da reunião (de Porto Alegre) e certamente também não seremos constrangidos por nenhum outro a participar de reuniões que não entendamos sejam propícias a um bom e qualificado debate sobre o tema", afirmou Olívio. Na terça-feira, Zeca do PT defendeu a união de todos os governadores, sejam eles aliados ou de partidos da oposição, em torno de um diálogo com o governo federal sobre as dívidas estaduais. Ele alegou que era preciso dar um basta na atual situação, em que toda semana se reúne "um bloquinho ali, outro lá".
Questionado sobre as declarações do colega petista, Olívio ressalvou que o endividamento é uma questão de interesse do "conjunto" dos Estados, mas disse esperar que o governo federal deixe de tratar "tangencialmente" esse assunto. "Sempre estivemos abertos para conversas com outros governadores", afirmou, lembrando que todos foram convidados para o encontro de Porto Alegre, na sexta-feira. "Mas ainda não fomos ouvidos pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para conversar sobre propostas concretas e sérias", protestou.
Olívio não quis comentar as afirmações do governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), que defendeu os acordos firmados entre Estados e União na gestão passada. A oposição gostaria que o tucano intermediasse o diálogo com o Planalto sobre pontos que vão desde a renegociação das dívidas até os juros altos. Covas admite que apenas alguns itens dos contratos podem ser renegociados "caso a caso" com a União.
O governo gaúcho vai depositar em juízo a parcela de R$ 47,6 milhões de sua dívida com a União que vence no dia 15. Além de dinheiro, o Estado poderá oferecer bens públicos em penhora como parte do pagamento. "Estamos estudando, porque queremos manter religiosamente em dia nossos compromissos, mesmo às custas de enormes sacrifícios", observou Olívio.
Os R$ 47,6 milhões que vencem no dia 15 compõem a maior parcela dos R$ 70 milhões que devem ser pagos pelo Tesouro gaúcho à União neste mês. Em janeiro, o Estado pagou R$ 57 milhões, sendo R$ 31,2 milhões em juízo. A autorização, que se mantém até hoje, foi dada por liminar do Supremo Tribunal Federal.
Para o governador do Amapá, João Alberto Capiberibe (PSB), "os Estados e o governo federal devem achar um ponto de equilíbrio para resolver essa situação" Capiberibe governa o único Estado que tem as contas em dia.

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