Olívio diz que Brasil deve exigir mais da Argentina
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quarta-feira, 04 de agosto de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 5 (AE) - O governador do Rio Grande do Sul
Olívio Dutra (PT), classificou de "insuficiente" a decisão da Argentina de excluir o Brasil das medidas de salvaguardas às importações para superar a situação de constantes controvérsias entre os dois países. De acordo com ele, o intercâmbio comercial entre ambos deve ser "corrigido", sem aberturas "indiscriminadas daqui para lá e de lá para cá".
Logo após a abertura do Encontro de Embaixadores da América Central e do Caribe, na sede da Federação das Associações Comerciais do Estado (Federasul), Olívio defendeu a inserção de "novos sujeitos sociais", entre eles as pequenas e médias empresas, para evitar "medidas intempestivas" como a adotada pela Argentina para conter o ingresso de produtos brasileiros.
Preocupados com a virada da balança comercial entre os dois países a partir da desvalorização do real, os argentinos determinaram, no mês passado, cotas para importação de têxteis do Brasil e tentaram reduzir ainda a compra de calçados. A atitude provocou reação do governo e dos empresários brasileiros e a Argentina anuncia hoje, na reunião extraordinária do Mercosul em Montevidéu, a exclusão dos parceiros do bloco das medidas de salvaguarda.
"O Mercosul tem que passar por cima disso e portanto tem que ter mais solidez", comentou o governador. Na opinião dele, isso exige a introdução de "outra agenda, com outros agentes sociais participando dessa mesa de negociações".
Segundo Olívio, o encontro dos embaixadores é uma "contribuição" do estado ao Brasil para intensificar as relações com os demais países do continente, um fator também "importante no relacionamento com o Nafta (mercado comum norteamericano) e depois a Alca (área de Livre Comércio das Américas".
O encontro na Federasul começou às 9 horas com a participação de representantes do México, Colômbia, Venezuela, Cuba, Equador, Trinidad e Tobado, Haiti, Honduras, El Salvador, Costa Rica, República Dominicana, Panamá, Nicarágua e Guatemala.
Segundo o presidente da entidade, Mauro Knijnik, o objetivo da iniciativa é "promover o conhecimento político e institucional entre o Rio Grande do Sul e os países participantes, desenvolver as bases de um relacionamento comercial com as empresas gaúchas e articular o início de um intercâmbio cultural, tecnológico e de formação profissional com as nossas universidades".
Em 1998 o Rio Grande do Sul exportou pouco mais de US$ 250 milhões para os países representados na reunião. O volume é pequeno diante das vendas externas totais do Estado no período, que totalizaram US$ 5,6 bilhões, e o governo, que apóia a realização do evento da Federasul, pretende ampliar este intercâmbio. Amanhã os embaixadores fazem uma visita a empresas gaúchas na região serrana, como a Marcopolo e a Móveis Carraro.


