Porto Alegre, 28 (AE) - O governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), afirmou que o Estado vai se insurgir, "no campo político e jurídico", contra as medidas de favorecimento à Ford na Bahia e de aguçamento da guerra fiscal. Ele ameaça entrar na Justiça contra o suposto favorecimento à Ford na Bahia.
Olívio classificou de "inconcebível" a postura do Executivo federal no episódio de valorização da Ford contra uma unidade da federação, o Rio Grande do Sul. "É um caso seríssimo; e a presença do presidente nisso é ainda mais estranha", acentuou.
Olívio voltou a dizer que as negociações com a Ford do Brasil foram "bruscamente interrompidas" pela direção da empresa, "que sequer chegou a examinar a proposta elaborada com muito esforço e responsabilidade". O governador do Rio Grande do Sul notou que, apesar disso, existe um contrato assinado entre a empresa e o governo estadual, "inclusive relacionado a valores significativos já adiantados à empresa".
Ele reiterou o sentimento de que a atitude revelada pela fala do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, nas fitas publicadas ontem (27), pelo jornal "Folha de S. Paulo está balizando a conduta do governo federal em relação ao Rio Grande" em vários pontos, até mesmo no caso Ford.
Num dos trechos da gravação, Padilha participa de uma reunião na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) e transmite "um recado" aos empresários -- a ser disseminado na empresa de cada um -- que teria sido remetido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. É o seguinte: "(...) Olha, o presidente Fernando Henrique pediu (para) agradecer que vocês votaram contra ele no Rio Grande do Sul, e ele perdeu a eleição no Rio Grande do Sul talvez por essa posição de vocês. Ele pediu (para) agradecer que vocês votaram contra o Britto no primeiro turno e quer já antecipar agradecimentos se vocês votarem contra o Britto também no segundo turno. Porque aí se materializa o fato de ele ter para a agenda dele apenas 26 Estados da federação e não 27."
O presidente da Fiergs, Dagoberto Godoy, anfitrião do encontro pró-Britto, também recebeu críticas do governador. Olívio disse que respeita a Fiergs, mas rejeita as observações do empresário, que também é integrante da agência de regulação do Estado, a Agergs, "um ente público". A Fiergs e Godoy haviam sido criticados pelo ex-governador Leonel Brizola, presidente nacional do PDT, que chamou a entidade de "comitê do Britto", responsabilizando-a pela saída da Ford do Estado. Em nota oficial, a Fiergs rejeitou as declarações de Brizola.
Olívio observou que o governo gaúcho também não abrirá mão de contestar no Judiciário as cláusulas que o governo federal embutiu no contrato de negociação da dívida com o Rio Grande do Sul, ainda no período de Britto. "Elas agridem o pacto federativo", assinalou.

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