Olívio afirma que FHC está com autoridade dividida
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terça-feira, 17 de agosto de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 18 (AE) - O governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), disse hoje que o presidente Fernando Henrique Cardoso está com a autoridade, "no mínimo, dividida". Ele referiu-se ao presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que está em evidência na mídia, ao tratar de assuntos do Executivo, embora seja integrante do Legislativo.
Olívio acha que FHC é "vítima de sua própria articulação" dentro do Congresso. "Para obter esta maioria tão complicada no Congresso, o presidente precisou de âncoras em tudo que é lado do seu navio, que acabam imobilizando seu governo", reforçou.
Olívio assinalou que, apesar do "discurso modernoso" do presidente, as alianças que o sustentam "estão aí há décadas". Ele lembrou que "o senador que ponteia isso (ACM) é uma figura que esteve em todos os governos, da ditadura ao Collor (ex-presidente Fernando Collor de Mello)". Olívio notou que, por esta articulação, FHC "paga um preço alto que, infelizmente, é pago por todos nós".
Ele entende que este quadro "eivado da velha política" estará presente nas eleições para as prefeituras, em 2000. O governador do Rio Grande do Sul acredita que, com o governo federal concentrando recursos nas próprias mãos e "deixando prefeitos e cabos eleitorais à mercê de seus favores", permanecerá forte a política do "é dando que se recebe". Embora "ainda com uma força considerável", o peso do governo será "menor do que o de outras épocas".
As greves e manifestações de caminhoneiros, grandes agricultores, sem-terra e trabalhadores urbanos das últimas semanas sinalizam "uma insatisfação generalizada" com o governo federal, mas, segundo ele, não permitem prever uma aliança entre todos os descontentes. "Retirar daí uma proposta única é querer forçar uma barra, fazer uma velha composição entre opostos, em vez de uma disputa séria", avaliou. Em meio disso, o governo parece "desarvorado", com "uma articulação de centro-direita de um lado" e "as imposições do FMI (Fundo Monetário Internacional) de outro".
Olívio defendeu, mais uma vez, a necessidade de um acordo entre os governadores e o presidente para resolver a pendência das dívidas estaduais.
O governador gaúcho recordou a proposta do senador Roberto Requião (PMDB0-PR) que pretende limitar em 5% o comprometimento das receitas dos Estados com o pagamento da dívida com a União. Ele acentuou que existe outra sugestão, encaminhada pelos governadores de oposição, envolvendo o pagamento de metade da parcela mensal pelos Estados, com o governo federal liberando o restante para ser investido em programas de geração de emprego e renda. Não há resposta de Brasília à proposta.
Olívio quer debater a questão dos institutos estaduais de previdência com a União, mas não aprova a solução que beneficiou o Instituto de Previdência de Santa Catarina (Ipesc) com a federalização das dívidas do Estado. "Foi um casuísmo", reclamou. O governador do PT deseja uma reforma tributária que estanque a renúncia fiscal. "Hoje, no País, para cada real arrecadado, existe 1,5 real renunciado", criticou. Os princípios da reforma devem observar os da "simplificação, progressividade e descentralização", com o objetivo de "arrecadar bem, mas sem inventar impostos".


