Olivetto se diz 'abençoado por estar vivo'
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sexta-feira, 08 de fevereiro de 2002
Agência Folha 
São Paulo - Seis dias depois de ser solto do cativeiro onde permaneceu 53 dias, o publicitário Washington Olivetto ainda parecia estar eufórico com a liberdade.
Durante os 75 minutos em que durou sua entrevista, dada ontem, a cerca de 150 jornalistas, Olivetto riu muito, brincou com fatos ocorridos no cativeiro, lembrou momentos difíceis e até divertiu a platéia com algumas frases de efeito uma de suas especialidades.
Olivetto, 50 anos, disse que ainda não sabe quando voltará a trabalhar. Estou sendo pressionado por familiares e sócios a cair na vagabundagem, afirmou.
O publicitário dono da W/Brasil disse ainda se considerar um abençoado, por ter saído vivo da situação e disse ter ficado pasmo ao saber do sequestro e da morte do prefeito Celso Daniel, do PT. As famílias que passaram por isso sabem a dor que é.
Olivetto afirmou que não tinha seguro contra sequestro. Ele acredita que misturaram o fato de a família ter contratado uma companhia especializada em negociações no caso de sequestro de pessoas e segredos industriais, com a existência do seguro.
Leia alguns dos principais momentos da entrevista com o publicitário, sequestrado em Higienópolis no dia 11 de dezembro, e solto pela polícia no dia 2 de fevereiro, num cativeiro no Brooklin.
Perdão
Durante a entrevista, Olivetto evitou responder diretamente a uma repórter que perguntava se ele perdoaria os sequestradores. Eles estão cometendo um ato que, obviamente, é contra as regras do jogo de uma sociedade civilizada. Eles devem ser tratados como criminosos, disse.
A repórter insistiu na questão do perdão, mas Olivetto mais uma vez não respondeu diretamente. Tá tudo muito bom porque o avião não caiu, ou seja, eu estou aqui, estou legal. Não é que eu queira ir pessoalmente lá bater no cara que me sequestrou, mas acho que a sociedade merece uma solução para o caso, disse o publicitário.
Do mesmo jeito que eu não acho legal avançar o sinal vermelho, ou jogar papel no chão, também não acho legal a insegurança pública, destacou.
Diário
Washington Olivetto declarou que o fato de escrever dia e noite o manteve lúcido nos 53 dias de cativeiro. Além de escrever em papéis que os sequestradores lhe entregavam, Olivetto também usou as paredes do cubículo onde foi mantido confinado para registrar sentimentos.
O publicitário ficou visivelmente emocionado nas vezes que agradeceu o apoio das pessoas que rezaram por mim. Ele disse que agora está vivendo uma maravilha de amores e que vai aproveitar bem este momento de garoto mimado.
Isolado
Olivetto disse que durante todo o tempo que ficou no cativeiro não viu nem conversou com nenhuma pessoa. O publicitário contou que seu isolamento era total. Quando queria se comunicar com os sequestradores batia nas paredes ou escrevia cartas e bilhetes.
Em uma das ocasiões, Olivetto disse que percebeu que os sequestradores eram estrangeiros, porque recebeu um bilhete escrito em portunhol.
Em seguida, para tentar obter a simpatia dos criminosos, Olivetto disse que começou a escrever cartas relatando todas as pessoas que ele conhece em outros países da América Latina, como Argentina, Paraguai e Chile.
Olivetto disse que fez isso na esperança de sensibilizar os sequestradores, mas não obteve resposta para esta carta.
Viagem
Washington Olivetto afirmou que pretende fazer a viagem que faria entre o Natal e o Ano Novo para descansar. O publicitário pretende visitar alguns museus novos na Alemanha depois do Carnaval.
Ele contou que assim que seu médico liberá-lo, ele vai aproveitar para viajar, já que seus parentes e amigos querem obrigá-lo a descansar antes de voltar ao trabalho.


