Olimpíada Rural reúne 2,5 mil produtores
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domingo, 08 de agosto de 2010
Mariana Guerin <br>Reportagem Local 
Guarapuava - Correr atrás de porco, catar frango, debulhar milho, cortar troncos. Subir em pau de sebo, puxar cabo de guerra, jogar truco. Atividades e brincadeiras do campo deixaram o posto de coadjuvantes da rotina simples da zona rural para conquistar status de prova na 1 Olimpíada Rural realizada em Guarapuava (Centro), que está sendo disputada neste mês.
A primeira etapa da competição destinada a famílias de produtores rurais aconteceu no Distrito Palmeirinha, em julho. Sete equipes disputaram 14 provas, entre elas, corrida do saco, pelotaço, corrida do ovo, pega do porco no barro, vaquinha parada e chinelão.
Segundo o secretário municipal da Agricultura, Milton Roseira, a ideia da Olimpíada surgiu entre os próprios agricultores, que reclamavam a falta de jogos específicos para o público da zona rural. ''Foi uma loucura. Mais de 240 competidores inscritos e um público de 2,5 mil pessoas acompanhando as provas na arena montada na sede do distrito, na Vila Palmira.''
Os agricultores gostaram tanto dos jogos, que pretendem realizar uma final entre os campeões de cada prova de cada distrito, já que nos próximos fins de semana a competição segue para os distritos de Guairacá, Guará e Entre Rios.
''A primeira etapa da Olimpíada foi marcada por uma tarde descontraída para participantes, torcidas e curiosos. Com provas inusitadas, o público ria a cada tentativa dos competidores em cumprirem as tarefas'', assinalou Roseira.
Sexagenário, o agricultor Orlando Paulo Gottems, produtor de leite, verduras, milho e feijão, foi o que mais perto chegou de acertar a prova do feijão no litro, na qual os concorrentes tiveram de descobrir quantas sementes de feijão foram colocadas numa garrafa pet de dois litros. ''Eu disse 6 mil e tinha 8 mil feijões no litrão'', contou Gottems, que também participou da prova do pelotaço.
Coordenador de uma das equipes, ele comemorou o quinto lugar obtido pelo seu grupo. ''Nos saímos bem'', avaliou Gottems, lembrando que a competição agrupou toda a família: ''Meu filho competiu no cabo de guerra, minha mulher debulhou milho e puxou cabo de guerra e meu neto participou da prova do chinelão'', contou.
''Foi um sucesso, tinha uma barabaridade de gente. Só ouvi elogios dos agricultores com quem cruzei no dia do evento. Eles precisavam de um divertimento'', resumiu o produtor.
Amizade
Companheiro de equipe de Gottems, o produtor de leite e hortaliças Adílio Zanuvello, 44, não imaginava que tanta gente vivia no Distrito Palmeirinha. ''Fiquei emocionado'', confessou o agricultor, que ficou com o segundo lugar na prova de debulhar milho.
Zanuvello também participou do corte de tronco com serra americana e puxou cabo de guerra e com a esposa, competiu na prova de catar frango: ''Ela tinha que correr atrás do frango e eu tinha que colocá-lo na gaiola'', explicou o produtor, assinalando que ela também participou do cabo de guerra para mulheres.
''Tinha bastante gente de outros distritos que eu nem conhecia e fui criando amizade. Tenho esperança de que a Olimpíada continue anualmente. A animação estava perfeita'', declarou Zanuvello.
''A ideia é integrar as comunidades e preservar as raízes culturais para despertar o interesse da população ao desenvolvimento sustentável e a preservação do meio ambiente. Além disso, a Olimpíada melhora a autoestima de quem reside no meio rural, pois eles têm a oportunidade de mostrar suas habilidades e conhecimentos para todos'', finalizou Milton Roseira.


