Olimpíada pode servir de incentivo à atividade física
As Olimpíadas são um laboratório para o corpo. Os atletas que ali se encontram são os mais preparados, os que superam limites, e os que querem surpreender os recordes futuros. É um campo de provas cujo protótipo testado é o próprio corpo. As Olimpíadas contagiam pelo vigor e pelo sentimento de confraternização. E de patriotismo. Em princípio, os competidores estão ali por amor ao esporte, não são profissionais, são amadores. Na prática, sabemos que não é bem assim. De todo modo, o entusiasmo que brota da chama olímpica acaba contagiando todo mundo. Sempre que nosso vôlei vai bem, os meninos armam uma rede na rua e por alguns dias esquecem o futebol. As meninas chegam a organizar times quando as brasileiras se destacam no futebol feminino. Meninos e meninas já tentaram jogar hockey sobre patins no asfalto aqui no bairro. Não deu certo.
Para nós todos, o exemplo olímpico é bem-vindo especialmente como motivação para a prática de um esporte ou de um exercício qualquer, não para medir forças. As Olimpíadas representam, para nós, simples sedentários, o que são as pistas de provas de Fórmula 1 para o nosso carro. O que os mecânicos, engenheiros e pilotos descobrem naquele laboratório, algum tempo depois chegará ao carrinho que dirigimos todo dia. As descobertas dos superatletas das Olimpíadas também um dia chegarão ao cotidiano dos nossos exercícios.
Como se vê, os atletas olímpicos têm muito a nos ensinar, mas não temos nenhuma obrigação, nem será bom para a nossa saúde, tentar acompanhar o ritmo deles. Assim, os esportes, podem ser considerados os primeiros do pódio em benefícios para saúde, prevenindo doenças.
O exercício faz bem, movimenta músculos, oxigena órgãos, impulsiona a produção de hormônios que nos dá mais energia e prazer. Quando o exercício vira competição, as endorfinas são substituídas por adrenalinas. O hormônio da satisfação é substituído pelo hormônio do estresse. Para quem não está disputando o ouro olímpico nem está preparado para isso, o resultado será um cansaço extra, com risco de distensões e mesmo de problemas cardíacos.
Tudo isso para dizer que as Olimpíadas são um momento especial para nos ajudar a lembrar que temos um corpo. Nas cidades que não estão à beira-mar, onde não temos a praia no nosso caminho, e quando não temos acesso fácil a clubes com piscinas, a tendência é esquecermos que temos um corpo. Não estou exagerando. Quando passamos algum tempo sem expor nossos corpos, sem exercícios nem caminhadas, tendemos a esquecer que eles existem. O que não é nada saudável, nem para o corpo, nem para a alma.
Pois vamos aproveitar a Sydney dessas Olimpíadas - e a animação dos saltos dos seus cangurus -, para iniciarmos uma nova fase de exercícios em nossas vidas. O importante é movimentar o corpo. Não importa a idade, nem a prática anterior. Deve-se começar devagar, com caminhadas ou natações que não ultrapassem 20 minutos. Aqueles que já têm um histórico de problemas cardíacos, mesmo hipertensão não controlada, devem antes consultar um médico. Também devem buscar orientação especializada aqueles que se cansam muito rapidamente, tem falta de ar ou não conseguem fazer uma caminhada leve de 20 minutos. Sob orientação de um médico, todos vamos nos beneficiar dos exercícios, por mais leves que sejam.
(*)Jocelem Mastrodi Salgado é Professora Titular de Nutrição Humana e Alimentos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz USP, Piracicaba, SP. e-mail - [email protected]





