Olho vivo na evolução dos passos das crianças
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de outubro de 2005
Fabíola Girardin<br>Agência Estado 
São Paulo - Pode soar como ''chover no molhado'' dizer que a evolução dos passos de uma criança requer observação cuidadosa, afinal a maioria dos pais sequer desgruda os olhos de seu pimpolho. De qualquer forma, vale a pena dar algumas dicas sobre o que reparar quando a criancinha começa a andar. Os joelhos arqueados dos bebês, geralmente, provocam dúvidas quanto à sua normalidade.
Samir Salim Daher, ortopedista e presidente da Sociedade Paulista de Esporte, informa que, quando o nenê dá os primeiros passos (o que acontece a partir dos 9 meses, nos casos mais precoces), seu sistema ostioarticular não está maduro. ''Tanto do ponto de vista físico, porque a estrutura ainda não está devidamente preparada para aguentar o peso da criança, quanto do neurológico, pois o equilíbrio motor não está eficiente.''
Para entender o motivo de o bebê manter as pernas tão abertas, o médico compara com alguém que circula de metrô, não tem onde apoiar a mão e acaba distanciando um pé do outro um pouco mais. ''É para aproximar o centro de gravidade do solo e, no caso da criancinha, para não ficar com a perna e a coxa totalmente abertas, ela afasta um pé do outro de uma maneira que o joelho também fica afastado, mas, conforme vai andando, esse mecanismo faz com que o joelho se aproxime um do outro e os pezinhos se afastem.''
Segundo o especialista, esse joelho ''em varo'' (ou arqueado) é normal até por volta dos 2 anos, pois o organismo vai ganhando velocidade e mais dinâmica para os movimentos. Depois desse período, pode haver uma reversão e surgir o joelho ''em valgo'' (ou em xis). ''O próprio eixo faz com que a força da cabeça até o chão passe pelo joelho e ele acaba virando para dentro'', assinala Daher.
Nessa fase, que vai até os 6 anos, também existe maior pressão na planta do pé, o que pode levar ao chamado pé chato. ''Mas o pé plano (ou chato) durante esse período é comum, vai se corrigindo à medida que o equilíbrio vai atingindo maturidade, também a posição em valgo tende a se corrigir'', adverte o ortopedista.
De fato, afirma Daher, durante essa faixa etária, a dúvida mais frequente nos consultórios é se o filho tem pé chato e se o joelho vai ficar assim. ''O profissional consegue ter essa percepção fisiológica, mas para a população fica difícil ter um conceito claro sobre o que é normal ou não.''
Os pediatras, acrescenta o médico, costumam fazer um bom acompanhamento e perceber quando as curvaturas do nenê estão muito acentuadas. E, em geral, quando o joelho segue arqueado, o pediatra encaminha para o ortopedista que providencia uma palmilha de compensação.


