Olheiras, um fantasma para as mulheres
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segunda-feira, 26 de dezembro de 2005
Maria Alice Rosa<br>Agência Estado 
Por mais bem vestida que estivesse, com o peso em total harmonia com a balança e num ótimo momento pessoal, a revendedora de roupas Dorotéia Ferlante não conseguia se olhar no espelho sem ver uma mistura de frustração e constrangimento. No rosto, as olheiras insistiam em dar uma pitada de insegurança na moça, driblando qualquer maquiagem. Foi assim da adolescência até os 20, os 30, os 50, os 60 anos!!! Somente há dois meses ela começou a conhecer a sensação de ter uma aparência sem traços de cansaço, estresse, mal-estar.
É parte de um grupo cada vez maior de pessoas que procuram os consultórios em busca de tratamentos contra as olheiras. Hoje, além de corretivos e soluções caseiras, quem luta contra o problema pode contar com uma artilharia bem variada, que inclui desde cremes a cirurgias plásticas.
Dorotéia é uma que já tentou quase tudo: usou algodão encharcado de chá de camomila e rodelas de pepino e de batata, sempre gelados, uma espécie de arroz-com-feijão no receituário doméstico antiolheiras. ''Resolvem - mas por algumas horas'', adverte o médico dermatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Estética, Valcinir Bedin. O aspecto do rosto melhora porque o contato com o frio contrai os vasos, reduzindo o edema e, consequentemente, o inchaço na região das pálpebras inferiores.
Olheiras existem por dois motivos, explica Bedin: genético, em que a pessoa já nasce com um derrame de melanina sob os olhos, uma pigmentação em excesso, o que é bastante comum em quem tem origem árabe ou indiana, por exemplo. ''Quem é mais moreno produz mais melanina'', afirma. A outra razão é vascular: quando a microcirculação sanguínea naquela região se intensifica, os vasos deixam transparecer uma coloração mais escura.
Isto pode ocorrer quando a pessoa dorme muito. Deitada por mais tempo que o de costume, permite o acúmulo de líquido na região da cabeça e a drenagem linfática fica mais lenta. Se o sono é curto ou o cansaço é grande, no entanto, aumenta a incidência de radicais livres, o que escurece o sangue e igualmente forma olheiras, ensina a dermatologista Ligia Kogos.
Com a idade, a pele vai perdendo colágeno e ficando mais fina, o que só acentua o problema. O fumo também provoca a flacidez da pele e o estreitamento dos vasos. Com as mulheres, as olheiras também podem ser impiedosas no período pré-menstrual, quando a irrigação sanguínea muda e o corpo retém mais líquido. Existe ainda a questão anatômica, o tipo de rosto, mais ou menos encovado na região dos olhos.
Um efeito mais contundente e duradouro pode ser obtido com cremes a base de hidroquinona, que ''atravessam'' a pele e inibem a produção de melanina; ou os de vitamina K1, que agem contra a coagulação sanguínea. ''O problema são as contra-indicações: 80% das pessoas que aplicam o creme têm alergia'', afirma Ligia Kogos. A vitamina é encontrada em vegetais, como alface, brócolis, repolho, espinafre etc.
Na cruzada contra as olheiras é possível ainda apelar para peeling com ácidos como o kójico, que tem o efeito de um esfoliante; retinóico ou glicólico, que renovam a camada superficial da pele.
Entre os tratamentos a laser, o mais efetivo, segundo Ligia, é o que utiliza um aparelho chamado Quantum, que opera com jato de luz linear e de luz pulsada, uma espécie de relâmpago luminoso.


