Um mês depois do vazamento de 4 milhões de litros de óleo cru da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, a Petrobras ainda realiza o trabalho de limpeza dos rios Barigui e Iguaçu. Atingidos pelo derramamento de quase 1,2 milhão de litros, esses rios ainda têm nas margens objetos impregnados do produto.
A estatal mantém mil pessoas trabalhando na limpeza das águas e, de acordo com a assessoria de imprensa, também do ponto zero – área de várzea dentro da refinaria, onde se acumularam 2 milhões de litros do produto. Esse local hoje está interditado, com guardas e correntes com cadeados nas entradas, que impendem o acesso de pessoas não autorizadas – inclusive a imprensa. A superintendência da refinaria e também a direção da Petrobras foram procuradas para se manifestar sobre a data, mas informaram que só falarão hoje, em uma entrevista coletiva.
O trabalho de retirada do óleo é feito de manhã e à tarde. Mas, para os ambientalistas, o processo ainda está se iniciando e tem que ser reavaliado. ‘‘O processo ainda não encerrou e o trabalho de limpeza e monitoramento pode durar anos’’, disse o superintendente regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e de Recursos Renováveis (Ibama), Luiz Antônio de Mello.
Mello informou que agora começa a fase de biorremediação e limpeza apurada dos leitos dos rios. ‘‘Nos próximos dias, a superintendência da Repar, junto com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e o Ibama, se reúnem para avaliar como vai se dar o trabalho de recuperação da fauna e flora da região’’, disse Mello. ‘‘Mas o processo precisa ser mais aprofundado’’, complementou o professor Renato Eugênio Lima, coordenador do Centro de Apoio Científico em desastres da UFPR.
Na avaliação de Lima, os efeitos do vazamento podem durar anos. ‘‘O acidente do mês passado está entre os três maiores do mundo e pode ser o maior em águas fluviais. Por isso, é preciso que se faça uma pesquisa mais aprofundada, já que não se conhecem as consequências de derramamento nessa proporção.’’
Para o engenheiro florestal Mário Moror, do Instituto Ecoplan, além da limpeza do rio é preciso responsabilizar os causadores do acidente. ‘‘Também é necessário estabelecer novos processos dentro da empresa’’, afirmou o presidente do Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina, Hélio Seidel.
Em Brasília, a Petrobras anunciou ontem que vai instalar nove centros de emergência para combater futuros acidentes ambientais. O primeiro centro será instalado dentro de 30 dias no Rio de Janeiro. No início do ano, vazaram 1,29 mil toneladas de óleo na baía de Guanabara e a empresa foi multada em R$ 51,05 milhões. Os outros oito centros serão montados em Manaus (AM), São Luís (MA), Natal (RN), Salvador (BA), Macaé (RJ), São Sebastião (SP), Itajaí (SC) e um na região Centro-Oeste, provavelmente Goiânia.
O presidente da Petrobras, Henri Phillippe Reichstul, disse que os centros de emergência vão custar R$ 35 milhões. Cada um deles terá equipamentos para combater vazamentos de óleo e homens treinados. As medidas de emergência são uma resposta da Petrobras aos acidentes do Rio e do Paraná.
Os dois acidentes foram causados por oleodutos danificados e nos dois casos houve falhas no sistema de comunicação. Para tentar amenizar esses dois problemas, a Petrobras vai acelerar o programa que prevê a automação dos dutos com verba de R$ 463 milhões.

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