Óleo continua em rios depois de 1 mês
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terça-feira, 15 de agosto de 2000
Israel Reinstein De Curitiba 
Um mês depois do vazamento de 4 milhões de litros de óleo cru da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, a Petrobras ainda realiza o trabalho de limpeza dos rios Barigui e Iguaçu. Atingidos pelo derramamento de quase 1,2 milhão de litros, esses rios ainda têm nas margens objetos impregnados do produto.
A estatal mantém mil pessoas trabalhando na limpeza das águas e, de acordo com a assessoria de imprensa, também do ponto zero área de várzea dentro da refinaria, onde se acumularam 2 milhões de litros do produto. Esse local hoje está interditado, com guardas e correntes com cadeados nas entradas, que impendem o acesso de pessoas não autorizadas inclusive a imprensa. A superintendência da refinaria e também a direção da Petrobras foram procuradas para se manifestar sobre a data, mas informaram que só falarão hoje, em uma entrevista coletiva.
O trabalho de retirada do óleo é feito de manhã e à tarde. Mas, para os ambientalistas, o processo ainda está se iniciando e tem que ser reavaliado. O processo ainda não encerrou e o trabalho de limpeza e monitoramento pode durar anos, disse o superintendente regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e de Recursos Renováveis (Ibama), Luiz Antônio de Mello.
Mello informou que agora começa a fase de biorremediação e limpeza apurada dos leitos dos rios. Nos próximos dias, a superintendência da Repar, junto com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e o Ibama, se reúnem para avaliar como vai se dar o trabalho de recuperação da fauna e flora da região, disse Mello. Mas o processo precisa ser mais aprofundado, complementou o professor Renato Eugênio Lima, coordenador do Centro de Apoio Científico em desastres da UFPR.
Na avaliação de Lima, os efeitos do vazamento podem durar anos. O acidente do mês passado está entre os três maiores do mundo e pode ser o maior em águas fluviais. Por isso, é preciso que se faça uma pesquisa mais aprofundada, já que não se conhecem as consequências de derramamento nessa proporção.
Para o engenheiro florestal Mário Moror, do Instituto Ecoplan, além da limpeza do rio é preciso responsabilizar os causadores do acidente. Também é necessário estabelecer novos processos dentro da empresa, afirmou o presidente do Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina, Hélio Seidel.
Em Brasília, a Petrobras anunciou ontem que vai instalar nove centros de emergência para combater futuros acidentes ambientais. O primeiro centro será instalado dentro de 30 dias no Rio de Janeiro. No início do ano, vazaram 1,29 mil toneladas de óleo na baía de Guanabara e a empresa foi multada em R$ 51,05 milhões. Os outros oito centros serão montados em Manaus (AM), São Luís (MA), Natal (RN), Salvador (BA), Macaé (RJ), São Sebastião (SP), Itajaí (SC) e um na região Centro-Oeste, provavelmente Goiânia.
O presidente da Petrobras, Henri Phillippe Reichstul, disse que os centros de emergência vão custar R$ 35 milhões. Cada um deles terá equipamentos para combater vazamentos de óleo e homens treinados. As medidas de emergência são uma resposta da Petrobras aos acidentes do Rio e do Paraná.
Os dois acidentes foram causados por oleodutos danificados e nos dois casos houve falhas no sistema de comunicação. Para tentar amenizar esses dois problemas, a Petrobras vai acelerar o programa que prevê a automação dos dutos com verba de R$ 463 milhões.


