São Paulo, 30 (AE) - Pelo menos 8 dos 28 vereadores que impediram a instalação de nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades na administração foram citados, denunciados ou estão sob investigação do Ministério Público Estadual (MPE) e da Polícia Civil. A vereadora Maria Helena (PL) foi indiciada recentemente pela polícia por porte ilegal de armas e foi acusada por duas ex-funcionárias por retenção de salários.
O vereador José Izar (sem partido), absolvido em julgamento na Câmara, também foi indiciado pela política sob suspeita de utilizar funcionários e a Administração Regional da Lapa em benefício próprio e em favor da campanha política de seu irmão, Willians. Paulo Roberto Faria Lima (PMDB) foi acusado de ser um dos responsáveis pela cobrança de propinas na Administração Regional de Pinheiros. O principal acusado é o ex-chefe de fiscalização daquela regional, Marco Antônio Zeppini
condenado a cinco anos de detenção.
O petebista Bruno Féder foi citado em inquérito que apura supostas irregularidades na Vila Maria, assim como Dito Salim (PPB) em outro referente à Administração Regional de Itaquera, na zona leste. Jooji Hato (PMDB) também foi citado em inquérito referente ao Módulo do Plano de Atendimento à Saúde (PAS) do Ipiranga e Jabaquara. O vereador Wadih Mutran (PPB) foi citado em inquérito que apura supostas irregularidades no Módulo do PAS da Vila Maria. E o vereador Osvaldo Enéas (Prona) responde a inquérito por suposta retenção de parte dos salários dos funcionários de seus gabinetes.
Em público, os parlamentares dizem que derrubaram a CPI por considerá-la um instrumento político da oposição. Em conversas reservadas, vereadores governistas, que pediram para não ser identificados, admitiram que havia um temor geral diante da possibilidade de novas investigações. "A oposição quer apenas um palanque político, por isso a CPI foi rejeitada", tem repetido Mutran. "Começou como uma proposta de investigação, mas ganhou ares de instrumento político", defendeu-se o vereador Miguel Colasuonno (PPB).
Os governistas justificam a derrubada da CPI dizendo que existem outros instrumentos de apuração. Um deles seria a Comissão Processante, a partir de provas fornecidas pelo MPE e pela política. Esse instrumento já foi proposto, mas não passou do discurso. A oposição argumenta que, aprovar uma Comissão Processante sem formalidades jurídicas exigidas, é garantir a extinção do processo. "Isso não passa de uma cortina de fumaça", rebateu José Eduardo Martins Cardozo (PT).

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