Belém, 03 (AE) - Um confronto entre 160 homens da Polícia Militar do Pará e 400 trabalhadores sem-teto que há três meses invadiram e construíram barracos em um terreno de 45 mil metros quadrados na rodovia Augusto Montenegro, em Belém, deixou oito feridos na tarde de hoje. Cinco sem-teto foram detidos e liberados mais tarde. Não houve feridos graves. O terreno invadido é do grupo Pão de Açúcar
A PM foi para o local para fazer a reintegração de posse
determinada pela juíza Maria do Carmo Sarmento, e para liberar a rodovia, interrompida desde a manhã de hoje pelos sem-teto, que se recusavam a deixar o local. Os manifestantes colocaram toras e pneus usados na rodovia e atearam fogo.
Quando os policiais do Batalhão de Choque chegaram foram recebidos com paus e pedras. O revide foi imediato. Alguns soldados avançaram sobre homens e mulheres desferindo golpes de cassetete e jogando bombas de gás lacrimogêneo. Alguns tratores passaram a derrubar os barracos. Soldados montados a cavalo investiram contra uma corrente humana que tentava evitar a derrubada das casas.
"Esse caras são uns animais. É assim que eles agem para proteger os poderosos", disse o sem-teto Elson Ferreira. Ele levou vários golpes de cassetete no peito e na cabeça. "Aqui só tem miserável, sem emprego, casa ou comida", emendou, chorando, Helena Souza, que viu seu barraco onde estava com cinco filhos ser demolido por um trator.
"O grupo tem a posse e o domínio do terreno e estava fazendo a manutenção da área quando ocorreu a invasão", explicou o advogado Bruno Solis, defensor do Pão de Açúcar. "A juíza mandou fazer o despejo mesmo sabendo que existe um processo em outra vara questionando a posse do terreno", argumentou o advogado dos invasores, Luiz Augusto Cardoso. O despejo foi suspenso no final da tarde de hoje por ordem do Tribunal de Justiça, que cassou a liminar concedida pela juíza. O processo será redistribuído.

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