Oito são presos acusados de formar milícia rural
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de abril de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba Oito pessoas foram presas na madrugada e manhã de ontem, em Curitiba e Ponta Grossa, entre elas o tenente-coronel Valdir Copetti Neves, lotado atualmente como chefe de Patrimônio e Transportes da 4 Seção do Estado Maior, quatro policiais militares da reserva e um ex-policial militar. Eles são acusados de formação de quadrilha e de milícia com objetivo de patrulhar fazendas e realizar desocupação de imediato nos casos de invasão pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Os detidos também são acusados de tráfico internacional de armas e violação de direitos humanos.
Segundo informações da Polícia Federal (PF), os policiais da reserva presos são Ricardo José Derbes, José Valdomiro Maciel, João Della Torres Neto e Nereu Paschoal Moreira e o PM excluído da coorporação é Adair João Sbardella. As outras duas pessoas detidas Silvana Araújo de Almeida e Carlos Ney Ferreira teriam se infiltrado entre integrantes do MST para apurar informações sobre as ações do movimento.
A organização seria mantida financeiramente por fazendeiros ligados ao Sindicato Rural de Ponta Grossa, que pagavam cotas mensais para obter o patrulhamento armado de suas fazendas, além da garantia de reintegração imediata no caso de invasão pelo MST. O tenente-coronel Neves, que é proprietário de uma área na região de Ponta Grossa, seria o chefe da quadrilha.
As prisões são resultado de uma operação conjunta da PF e Secretaria de Estado de Segurança Pública, solicitada pelo governador Roberto Requião ao Ministério da Justiça, e que culminou com a criação de uma força-tarefa, que há mais de um mês vinha investigando casos de uso de violência no campo. A operação recebeu o nome de ''Março Branco'', em alusão ao movimento ''Abril Vermelho'' do MST, que nesse mês do ano costuma aumentar o número de ocupações.
A ação das polícias começou às 3 horas da madrugada de ontem. Além das oito prisões, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em Curitiba, Ponta Grossa e Cascavel, que resultaram na apreensão de 16 armas de fogo, sendo uma pistola Glock calibre 9 mm, cinco escopetas calibre 12, um revólver magnum 357, sete revólveres 38 e duas carabinas, além de vasta munição. Segundo o superintendente da Polícia Federal (PF), Jaber Markun Hanna Saad, '' algumas armas eram contrabandeadas e outras nacionais''.
Nos locais, também foram encontrados recibos de pagamento de fazendeiros de Ponta Grossa, fotografias e investigações realizadas dentro do MST, binóculos para vigilância, equipamentos de rádio transmissão, três carros usados no patrulhamento rural e relatórios feitos pela própria quadrilha.


