|
  • Bitcoin 142.883
  • Dólar 4,8157
  • Euro 5,1554
Londrina

Geral

m de leitura Atualizado em 20/03/2022, 17:22

Oito a cada cem gestantes em Londrina são adolescentes

Entre os 6.166 nascidos vivos em 2021, 495 são de mães com idades entre 10 e 19 anos; média municipal está abaixo do índice estadual

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de março de 2022

Lucas Catanho - Especial para a FOLHA
AUTOR autor do artigo

Foto: iStock
menu flutuante

Oito a cada cem gestantes em Londrina são adolescentes. A estatística está em levantamento produzido pela Secretaria Municipal da Saúde, a pedido da FOLHA. No ano passado, entre os 6.166 nascidos vivos, 495 são de mães com idades entre 10 e 19 anos, o que representa 8%. Os índices registrados no município estão abaixo da média estadual.

Nos últimos anos, o índice de gestantes adolescentes vem caindo no município. Em 2018, estava em 10% (698 adolescentes grávidas para 6.999 nascidos vivos). No ano seguinte  baixou para 9,7% (668 gestantes para 6.899 nascimentos). Em 2020, chegou a 8,7% (556 adolescentes grávidas para 6.408 nascidos vivos).

Felippe Machado, secretário municipal de Saúde, destaca algumas ações desenvolvidas pela pasta que vêm reduzindo esse percentual. “Fortalecemos vínculo com as adolescentes e suas famílias e estreitamos as relações com as escolas para a realização de ações preventivas de educação em saúde. Procuramos também ampliar o acesso dos adolescentes às unidades de saúde e disponibilizar métodos contraceptivos para adolescentes maiores de 14 anos que os solicitarem – hoje temos oferta de anticoncepcional injetável mensal e trimestral, oral, contracepção de emergência, DIU e preservativos”, listou.

Segundo o secretário, a pasta desenvolve ainda ações educativas nas salas de espera nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) voltadas para adolescentes e promove ações de prevenção da violência sexual em adolescentes que envolvam a família e escola, entre outras práticas.

RISCOS

Machado explica que a gravidez na adolescência deve ser evitada porque são muitos os riscos de saúde para a mulher e o bebê/feto. "Dentre eles estão o risco de abortamento, prematuridade, pré-eclâmpsia e eclâmpsia, depressão pós-parto, entre outras complicações. Porém, não menos importante, temos também as mudanças de projetos de vida, risco de abandono escolar, prejuízos sociais e econômicos”, detalha. 

O secretário acrescenta ser de grande importância trazer os adolescentes para próximo da unidade de saúde e estreitar os laços com ele e sua família. “O adolescente deve ter como referências profissionais e educadores na busca por informações qualificadas. Tanto profissionais, quanto os adolescentes, devem conhecer a rede de atenção, a fim se buscar serviços e profissionais em momentos de dúvidas e dificuldades, a fim de que possamos trabalhar a prevenção da gravidez na adolescência, bem como outros agravos como ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), planejamento reprodutivo, violência, entre outros pontos que podem ter impacto no curso de uma adolescência saudável”, relata. 

. .
. |  Foto: iStock
 

ÍNDICE EM QUEDA

No Paraná, as adolescentes representam 11% do total das gestantes. Segundo a Sesa (Secretaria da Saúde do Estado), entre os mais de 141 mil nascidos vivos no Estado em 2021, 15.724 nasceram de adolescentes com idades entre 10 e 19 anos, o que representa 11,1% do total.

O levantamento mostra ainda que o índice de gravidez na adolescência vem caindo nos últimos anos. Em 2019, entre os mais de 153 mil nascidos vivos, 18,8 mil foram de gestantes adolescentes, o que representa um índice de 12,3%. No ano seguinte, entre os mais de 146 mil nascidos vivos, 16,5 mil vieram de mãos com idades entre 10 e 19 anos, 11,3% do total. 

A secretaria destaca que vem fomentando algumas ações para promover a diminuição dos casos de adolescentes grávidas. A pasta cita a participação do Estado na Campanha Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência em escolas, espaços de convivência de adolescentes, mídias sociais, rádio local e/ou outros meios de comunicação.

“É fundamental que a sociedade se conscientize dessas estratégias para que possamos garantir às nossas adolescentes um futuro promissor com mais oportunidades, mais estudo, mais emprego e melhores condições de vida”, destaca Maria Goretti David, diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa.

Segundo ela, outras ações desenvolvidas em nível estadual são a ampliação do diálogo sobre prevenção da gravidez em adolescentes com gestores, escolas, Conselhos Tutelares e instituições afins, incrementando políticas de saúde sexual e reprodutiva para esta faixa etária.

Há ainda a mobilização dos profissionais que atuam no atendimento primário à saúde, para disseminar informações sobre medidas preventivas e educativas, articulando a Secretaria de Educação para atividades nas escolas com o PSE (Programa Saúde na Escola) e no território.

A pasta apoia os adolescentes para a educação entre pares e trabalha a temática por meio de rodas de conversa, cine debate, oficinas de forma híbrida, remota ou presencial. Outras ações são a apresentação e disponibilização dos métodos contraceptivos para adolescentes e jovens, facilitando o acesso à consulta do adolescente nas Unidades Básicas de Saúde.

Por fim, a secretaria destaca o incentivo ao uso do preservativo masculino e feminino para adolescentes e jovens e, por fim, a busca de adolescentes grávidas (busca ativa) pelas equipes da Atenção Primária à Saúde ou da ESF (Estratégia de Saúde da Família) para oferecer informações e agendar realização de atendimento e pré-natal.

'SER MÃE DEVE SER UMA ESCOLHA E NÃO UM ACIDENTE'

A Secretaria da Saúde do Estado destaca que a gestação é um momento muito importante na vida de uma mulher e o ideal é que seja desejada e planejada. “Ser mãe deve ser uma escolha da mulher e não um ‘acidente’. A gestação nesta fase priva os adolescentes de muitas coisas. Deixam de vivenciar uma fase importante do ciclo de vida que é a adolescência, pois passam a ter responsabilidades que não são compatíveis com sua idade, muitas acabam até mesmo abandonando a escola e perdendo oportunidades de estudo e emprego, o que pode dificultar seus planos profissionais para o futuro.”

A pasta acrescenta que outros fatores como maiores riscos de parto prematuro, menor adesão ao pré-natal e desenvolvimento de transtornos emocionais também são dados relevantes que reforçam que a adolescência não é o período adequado para a mulher engravidar. “Toda mulher deve ter o direito de realizar o planejamento sexual e reprodutivo e decidir quando e se vai desejar tornar-se mãe.”

Receba nossas notícias direto no seu celular! Envie também suas fotos para a seção 'A cidade fala'. Adicione o WhatsApp da FOLHA por meio do número (43) 99869-0068 ou pelo link wa.me/message/6WMTNSJARGMLL1