Washington - Oitenta por cento da matéria que compõe o Sol é ferro e não hidrogênio, como vem sendo ensinado em todas as escolas há um século, afirmou ontem o professor de química nuclear da Universidade do Missouri Oliver Manuel.
''Estou estudando a composição do Sol desde 1960 e cheguei à conclusão de que o sistema solar vem de uma única estrela e de que o Sol se formou a partir do núcleo colapsado de uma supernova'', disse Manuel.
A teoria heterodoxa desse cientista afirma que os planetas mais próximos ao Sol são feitos, principalmente, de matéria produzida na parte interior dessa suposta supernova colapsada.
Os planetas mais distantes, segundo o estudo, são compostos de materiais provenientes das camadas externas dessa supernova.
Na próxima semana, Manuel fará uma palestra denominada ''Por que o modelo de um sol cheio de hidrogênio é obsoleto'', na reunião anual da Sociedade Meteorítica em Los Angeles (Califórnia, EUA).
''Quando alguém diz que o componente mais abundante do Sol é o ferro, as pessoas pensam imediatamente em metal duro, pesado, mas, no Sol, explicou o professor , o ferro está submetido a temperaturas muito altas e é plasma, não sólido'', acrescentou.
Segundo Manuel, os elementos mais abundantes no Sol são, na ordem: ferro, níquel, oxigênio, enxofre, manganês e cálcio. O hidrogênio aparece quase no fim da lista.
''A fusão do hidrogênio cria parte do calor do Sol, quando ele, que é o mais leve de todos os elementos, chega à superfície do Sol'', acrescentou Manuel.
O professor de química nuclear disse que ''a maior parte do calor provém do núcleo de uma supernova colapsada que continua gerando energia em seu interior, rica em ferro''.
Segundo a teoria aceita pelos cientistas, e que é ensinada quase como verdade absoluta nas escolas e universidades do mundo, o Sol é uma estrela anã amarela bastante simples, composta quase que totalmente por hidrogênio, com 15 por cento de hélio e uma pequena mistura de outros elementos.
A teoria que é aceita hoje em dia diz também que a metade da massa do Sol que é 330.000 vezes maior do que a da Terra fica concentrada em seu núcleo, o que gera pressão e eleva as temperaturas, causando a fusão.
Próximo ao centro do Sol, a fusão ocorre a 15 milhões de graus Celsius, segundo a teoria tradicional que agora é questionada por Manuel, que acredita que ''ninguém sabe de fato qual é a temperatura no núcleo do Sol, mas que deve ser muito mais alta do que isso''.

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