Curitiba- O Brasil é um dos países que podem ser considerados como modelo no enfrentamento de casos de abusos, violência e exploração contra a criança e o adolescente. Programas nacionais estão sendo levados como experiências bem-sucedidas para outros países da Ásia e da África. No Paraná, um dos programas mais eficazes é o de combate à exploração comercial e sexual de crianças e adolescentes na Tríplice Fronteira. Entretanto, ainda existem várias dificuldades a serem superadas. Uma delas é o enfrentamento do trabalho infantil no ''seio familiar''.
De acordo com o coordenador do Programa Internacional para Eliminação do Trabalho Infantil da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Pedro Américo Furtado de Oliveira, uma das maiores dificuldades está na proteção legal do seio familiar e os olhos invisíveis dos pais, que não percebem que estão retirando os seus filhos dos estudos e da construção de um mundo melhor para perpetuar a pobreza e a miséria. ''A gente tem que começar a derrubar o trabalho infantil invisível. Não é correto dizer que é melhor a criança pobre trabalhando do que traficando. É melhor ela ter chance de estudar e de fazer um futuro melhor para ela mesma'', considerou ele.
No Paraná, os maiores problemas estariam concentrados na zona rural, nas propriedades de agricultores familiares. ''Temos inúmeros registros de jovens que não mais podem trabalhar porque foram vítimas de doenças como insuficiência respiratória, lesões por esforços repetitivos, renites, câncer de pele provocadas pelo uso de agrotóxicos'', ponderou Américo, alertando que o trabalho precoce pode ser causador de várias doenças adquiridas nas zonas rurais. ''A questão é grave aqui no Paraná. Muitas vezes as crianças são submetidas a este trabalho e começam a ter fadigas, desgastes emocionais e desanimam de estudar'', alertou o representante da OIT, que ontem deu palestra em Curitiba, na reunião semanal do secretariado.
As ações adotadas no Brasil de proibição do trabalho de menores de 16 anos, segundo Américo, já conseguiram reduzir em 40% o trabalho infantil no País. Em 2002, havia 8,4 milhões de crianças ocupadas e atualmente 5,1 milhões de crianças ainda permanecem trabalhando. A violência contra crianças e adolescentes também foi tema do encontro de ontem. Dados apresentados pelo governo do Estado demonstram que ocorreram no ano passado cerca de 17,4 mil casos de violência. Destes, 55,6% envolviam crianças de até 11 anos de idade e em 50,9% a família era apontada como principal causa da violência.

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