São Paulo, 12 (AE) - A produção mundial de açúcar para 1998/99 deverá atingir 128,6 milhões de toneladas, conforme a segunda estimativa de oferta e demanda para esta safra divulgada na sexta-feira pela Organização Internacional de Açúcar (OIA). A nova estimativa é 1% superior ao resultado da safra anterior e, se concretizada, será a maior produção de açúcar já registrada pela OIA.
Os novos números da organização indicam um consumo de 126,9 milhões de toneladas, alta de 1,3% em relação a safra anterior, mas ainda criando um superávit de 1,6 milhão de toneladas.
O crescimento do consumo caiu para 1,3% depois de aumentar quase 2% ao ano durante os anos 90. Segundo a OIA, a queda da demanda está relacionada com o menor crescimento da ásia.
O mercado mundial de açúcar também indica superávit quando o produto disponível para exportação é comparado com a demanda importadora. O açúcar disponível para exportação em 1998/99 está estimado em 34,6 milhões de toneladas enquanto a demanda importadora é de 33 milhões de toneladas, criando um excesso de 1,6 milhão de toneladas, quase 5% do mercado.
A Organização Internacional do Açúcar explica que a recente forte queda nos preços foi semelhante à ocorrida na safra 1995/96, quando a Índia registrou uma produção recorde e grandes estoques. Mas, como em 1995/96, o problema ficou confinado à Índia, ele não afetou os preços mundiais principalmente porque, naquela época, a demanda asiática estava crescendo.
Segundo a OIA, quando a demanda asiática começou a dar sinais de enfraquecimento em 1997 e 1998, a situação real ficou exposta e os preços sofreram uma série de quedas.
A OIA explica também que agora está claro que os estoques estavam sendo construídos desde 1995/96 e que agora eles alcançaram um nível que não pode ser absorvido por qualquer grande importador como a Rússia. A organização mantém que a atual crise foi criada por falta de demanda. A OIA argumenta que a demanda não está respondendo aos preços baixos como costuma ocorrer.
Países com problemas econômicos não estão importando mais açúcar. A correção do atual estado de superávit de produção deverá vir de reduções voluntárias na produção. Existem outras duas alternativas: esperar até a demanda se recuperar e sofrer perdas com os preços por mais dois ou três anos ou deixar o mercado reduzir a produção através da falência, um processo arbitrário e inútil na indústria que demanda um grande investimento.

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