Oftalmologista alerta para riscos de cirurgia de correção de miopia a laser
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domingo, 11 de abril de 1999
Por Sandra Sato 
Brasília, 12 (AE) - O presidente do Conselho Brasileiro de àptica e Optometria, Ricardo Bretas, afirmou hoje, em Brasília, que a cirurgia para correção de miopia a laser pode provocar efeitos indesejáveis e, portanto, não deve ser realizada de forma indiscriminada como vem ocorrendo nos consultórios de Oftalmologia. Entre os efeitos negativos estão o inchaço na parte central da córnea e ainda a possibilidade de a pessoa corrigir a miopia, mas acabar adquirindo astigmatismo ou hipermetropia.
O ex-ministro do Planejamento do governo Itamar Franco, Alexis Stepanenko, tinha dois graus de miopia e desejando o "conforto" de não usar óculos decidiu fazer a cirurgia. Resultado: ficou com seis graus de hipermetropia. Segundo ele, o oftalmologista havia dito que o risco de a operação não dar certo era de apenas 1% a 2%. "Pensei, no primeiro momento, cai no 1%, mas depois acabei concluindo que esse porcentual é muito maior", afirma, citando ter conhecido vários outros casos de cirurgias mal sucedidas.
O chefe do Departamento de Filatelia dos Correios, José Afonso Braga, teve mais sorte que Stepanenko. Passou dois meses com medo de perder a visão, mas o uso contínuo de medicamentos permitiu a recuperação da córnea que havia ficado enrugada com a cirurgia. Agora, enxerga bem, mesmo com o resíduo de astigmatismo. No pós-operatório, contou, tinha a sensação de estar olhando por um vidro estilhaçado quando mirava as luzes dos carros. Braga diz que teve problemas porque no consultório onde foi operado se faz muitas cirurgias ao mesmo tempo.
A preocupação de Bretas é quanto à venda da cirurgia como se fosse um milagre que de uma hora para outra elimina de vez a miopia. "Em São Paulo está cheio de outdoors dizendo: jogue seu óculos fora, faça cirurgia" , conta. Ele garante que seu alerta não é uma queixa de mercado, porque boa parte dos pacientes que passam por cirurgias acabam depois tendo de usar óculos. Segundo o secretário do conselho, Sérgio de Abreu Veiga, todo mês ele recebe em seu consultório dez pacientes que não tiveram sucesso com a cirurgia. Veiga defende que a pessoa deva pedir indenização em caso de erros operatórios.


