Oficina discute pesquisa sobre desenvolvimento da criança
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quinta-feira, 30 de março de 2000
Por Cristina Charão 
São Paulo, 31 (AE) - Estudos sobre a inteligência dos bebês põem pais e profissionais das áreas de saúde e educação diante de um novo desafio: aprender a lidar com crianças que nascem sabendo. A descoberta de que o ser humano nasce com capacidade própria de discernimento, e habilitado a relacionar-se com o mundo e com os adultos, faz desaparecer a figura do pequeno ser inerte, passando a existir o bebê competente. É com esse "novo" bebê que os especialistas estão preocupados. Na próxima semana, a oficina Um Bebê Competente: Para Quê?, realizada pela Faculdade de Saúde Pública da USP, discutirá resultados de pesquisas e procedimentos para garantir o desenvolvimento saudável das crianças.
"Quando se sabe que a criança é capaz de se relacionar e comunicar, você passa a percebê-la como um sujeito de ação", diz a psicóloga Elaine Pedreira Rabinovich, pesquisadora do Centro de Estudos do Crescimento e Desenvolvimento Humano da USP.
O conceito do bebê competente nasceu de uma série de estudos realizados a partir dos anos 70, quando novas tecnologias permitiram mostrar o funcionamento da mente dos recém-nascidos. Conseguiu-se mostrar, por exemplo, que os bebês preferem uma cor a outra e sabem discernir o som da língua materna de outras línguas. Dessa maneira, comprovou-se que a criança nasce adaptada ao ambiente cultural e humano.
"A leitura anterior era a de que o bebê era despreparado para sobreviver", diz Elaine. "O desenvolvimento motor do ser humano é muito atrasado em relação a outros animais
por isso ele teve de desenvolver sua capacidade relacional e de comunicação." Ou seja: sabendo o que quer ou precisa, mas sem poder conseguir sozinho, o bebê, por exemplo, chora para chamar a atenção. Este repertório inato é o que garante a sua sobrevivência. Informações pelo telefone (0xx11) 3061-3572.


