Curitiba- A Vara Criminal de Central de Inquéritos de Curitiba recebeu esta semana o inquérito policial que investigou os detidos durante a Operação Tentáculos, que começou apurando a execução do então major Pedro Plocharski (comandante do 13º Batalhão da Polícia Militar) e chegou a quadrilhas organizadas compostas por policiais militares que praticavam segundo informações do inquérito desde tráfico de drogas e furto de veículos até assassinatos e assaltos.
O inquérito foi concluído com 1,8 mil páginas e oito volumes com material suficiente para o oferecimento de denúncia contra todos os indiciados. ''Temos comprovação, provas testemunhais e materiais do envolvimento de todos os indiciados. Terminei o inquérito para garantir que todos continuem presos e sejam denunciados pelo Ministério Público'', afirmou o delegado Luiz Alberto Cartaxo de Moura, titular da Homicídios.
A Operação Tentáculos foi desencadeada no dia 16 de junho, com o apoio das polícias Civil, Militar e Federal. Vinte e sete mandados de prisão foram cumpridos. Outras cinco pessoas foram presas em flagrante e duas estão foragidas, entre elas o advogado criminalista Peter Amaro de Sousa e um policial militar identificado até agora como Sky.
Cartaxo garante que já sabe quem é o policial. Entretanto, o nome dele é divulgado para não atrapalhar as investigações. ''Mesmo com a conclusão do inquérito temos muito trabalho. Mais três meses de investigação, com certeza. Ainda faremos diligências e continuaremos a procura pelos foragidos'', salientou.
Novas testemunhas estão aparecendo todos os dias e detalham envolvimento de pessoas que ainda não foram citadas no inquérito policial. Cartaxo indiciou todos por formação de quadrilha e cada grupo por delitos específicos.
O ex-policial militar Moacir Possamai Girardi, por exemplo, é acusado de liderar o grupo envolvido com roubos de veículos.
O sargento Ademir Leite Cavalcante comandaria o tráfico de drogas. Já o policial militar Sandro Delgobo seria líder do grupo de extermínio que agiria a serviço do tráfico de drogas e estaria envolvido no assassinato do major Plocharski (elevado para o cargo de tenente-coronel depois da execução).
O major foi morto no dia 28 de janeiro durante investigação sobre o envolvimento de policiais militares do 13º Batalhão em crime organizado.
O autor dos disparos, conforme a polícia, seria o tenente Alberto da Silva Santos, que cumpria pena pelo incêndio na Promotoria de Investigações Criminais (PIC) na Colônia Penal Agrícola de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba). Ele e os outros dois policiais militares que teriam fechado o carro do major foram identificados por testemunhas. Plocharski foi recepcionado por tiros de escopeta e de uma metralhadora nove milímetros quando dirigia seu fusca no caminho do trabalho para casa.

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