Oficial do Rio é acusado em CPI
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quinta-feira, 24 de abril de 1997
Agência Estado 
RIO - O major da Polícia Militar Álvaro Rodrigues foi acusado ontem, por uma testemunha que depôs na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), de ter invadido sua casa dias antes do espancamento de 11 moradores da Cidade de Deus, zona Oeste do Rio.
Álvaro Rodrigues comandou o espancamento dos moradores, ocorrido no final de março, promovido por policiais militares do 18º Batalhão da PM. A agressão foi registrada por um cinegrafista amador e levada ao ar pela TV Globo.
A testemunha acusou também dois policiais do 18º BPM de terem espancado seu marido e o torturado psicologicamente, além de roubado R$ 1,2 mil de sua casa. Os dois policiais foram identificados por ela somente como Carlos e Oliveira.
Membros da CPI que apura os abusos cometidos por policiais no Rio suspeitam que os dois também tenham participado do espancamento dos moradores registrado pelo cinegrafista amador.
R. relatou que casos como este são comuns em Cidade de Deus. Segundo ela, seu marido vem sendo perseguido pelos policiais do 18º Batalhão.
Vinte dias antes do espancamento coletivo, o major Álvaro Rodrigues teria estado em sua casa, dizendo ter recebido um telefonema do disque-denúncia. Na ocasião, ele teria ameaçado R. e sua família, caso eles insistissem em denunciar o espancamento sofrido por seu marido.
O depoimento de R., uma contadora profissional que foi morar na Cidade de Deus porque brigou com sua família, que não aceitou seu casamento com W., um rapaz de origem mais humilde, impressionou os deputados, que elogiaram sua coragem.
Além de R., G., uma das vítimas do espancamento coletivo, também depôs ontem. A Alerj agora quer garantir segurança para as duas testemunhas. O governador Marcello Alencar se colocou à disposição para oferecer-lhes o que eles acharem melhor para suas famílias, o que pode incluir até uma mudança de Estado.


