Oferta de PVC cai e preço sobe, em movimento sem precedentes
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sexta-feira, 03 de dezembro de 1999
por Viviane Mottin 
São Paulo, 3 (AE)- Embora a indústria de resinas informe que o PVC não está em falta, segmentos de transformação desse plástico afirmam que há escassez e até pensam em importar. Uma grande indústria nacional de bens de consumo intermediário demonstra preocupação e informa que poderá importar a resina do Oriente Médio. Já a Rionil Compostos Vinílicos, que compra o PVC da indústria petroquímica e o aditiva para que sirva a diferentes segmentos de transformação de bens de consumo, estima que a falta já chega a cerca de 25% da demanda.
O diretor da área de PVC da Solvay Indupa, João Matulja, informou que sua empresa sofreu baixa de produção em novembro, deixando de fabricar 5 mil toneladas. O déficit representa 10% do consumo mensal de PVC no mercado interno, calculado em cerca de 55 mil t - ou 670 mil toneladas ao ano. "Tivemos problema de fornecimento de MVC, mas a oferta já está regularizada", disse Matulja.
O MVC é a mistura do cloro (57%) com o eteno (43%), matéria-prima do PVC. Tanto a unidade da Solvay quanto a da Trikem instaladas em São Paulo importam o insumo do PVC, em falta no mercado mundial. A Trikem foi procurada, mas não se manifestou sobre o assunto. Ela e a Solvay são as únicas produtoras de PVC no Brasil.
O diretor superintendente da Rionil, Alain Besse, afirma que a falta mundial do MVC se deve à entrada dos Estados Unidos como comprador do insumo. "Foi o que desbalanceou o mercado", explica. E observa que o preço do PVC no Brasil, de agosto para cá, teve reajuste de 100%. O gerente comercial de revenda da Tigre Tubos e Conexões, Eduardo Brandão, calcula o aumento de preço da resina em 130%. "Não informamos aumentos de preço. Dependendo do segmento em que o cliente atua o preço é um ou outro", responde João Matulja, da Solvay Indupa.
"No início do ano, o PVC brasileiro era vendido a US$ 380,00 por tonelada para exportação. A China, que estava comprando a US$ 350,00, agora paga US$ 800,00 por tonelada, um aumento de 200%", compara Raul Bustamante, também diretor da Solvay. E conclui que a indústria brasileira está apenas acompanhando os aumentos do mercado internacional.


