A oferta de leitos hospitalares no País caiu 27% em sete anos. Em 1992, havia 3,8 leitos por mil habitantes. Em 1999, a média registrada foi de 2,9. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que haja, no mínino três leitos para mil habitantes. O Amazonas é o Estado com menor disponibilidade de leitos (1,8 por mil), enquanto Goiás tem a maior proporção (3,9 por mil).
Para os demógrafos do IBGE que apresentaram ontem, no Rio, o resultado do censo da saúde, os principais motivos da diminuição foram mudanças nos critérios para tratamento de doenças crônicas e a melhoria da tecnologia do atendimento médico, evitando a internação dos pacientes.
No entanto, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Barjas Negri, reconheceu que há uma grande deficiência na distribuição de leitos. ‘‘O fato de a oferta ter diminuído não significa que tenha oferta adequada de leitos, a média esconde uma realidade; este é um País de distorções regionais extremamente sérias’’, afirmou Negri.
O secretário-executivo deu um exemplo de São Paulo, onde a oferta de leitos no interior é maior do que na região metropolitana. ‘‘Se há falta de leito na região de São Paulo, o Estado mais rico da federação, imagina o que ocorre nas regiões mais pobres do País’’, afirmou Negri, que assistiu hoje, no Rio, à apresentação da pesquisa Estatísticas de Saúde - Assistência Médico-Sanitária.
O levantamento contempla todos os estabelecimentos de saúde, públicos e privados. A maior queda da oferta de leitos foi registrada em São Paulo, passando de 4,1 leitos por mil habitantes para 2,9.
Segundo o secretário-executivo, 20 mil leitos hospitalares públicos serão instalados até 2002. Negri ressaltou que as ações na área de saúde são de médio e longo prazo. ‘‘A decisão de fazer um hospital e colocar o leito em funcionamento, se o gestor for muito bom, leva quatro anos’’, calculou.
De acordo com Barjas Negri, R$ 1,5 bilhão serão investidos em saúde pública. Negri reconheceu que, apesar de doenças psiquiátricas, oftálmicas, hanseníase e vários exames não demandarem mais internação, deixando leitos ociosos, falta disponibilidade de leitos para o tratamento de outras doenças.
Há uma tendência mundial, segundo Barjas Negri, de diminuição da oferta de leitos. A Organização Mundial de Saúde mudou a média recomendada de 5 para 3 leitos por mil habitantes. O secretário-executivo insiste, porém, que ainda é preciso corrigir as distorções no Brasil.
‘‘A distribuição é bem mais democratizada, mas ainda acontece de acordo com a economia e não com a necessidade da população’’, resumiu o demógrafo do IBGE Celso Simões. Nos Estados Unidos, a oferta de leitos é de 5,3 por mil habitantes. Há 20 anos, era maior: 6,2 por mil habitantes. A média da América Latina é de 2,5 leitos por mil habitantes. Em 1980, era de 2,8.

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