São Paulo, 22 (AE) - Considerada a segunda região metropolitana do planeta em precariedade de recursos hídricos adequados para consumo, São Paulo dispõe de uma oferta per capita de água potável que equivale a um terço do nível mínimo recomendado pelas Nações Unidas. Apesar desse problema e de não dispor de novos mananciais, a Grande São Paulo continua poluindo seus escassos reservatórios, inclusive aqueles considerados intocados até pouco tempo, como a Barragem de Rio Branco. Em função disso, a organização não-governamental Campanha Billings, Eu Te Quero Viva! realizou hoje, Dia Mundial da água, uma manifestação no Balneário Mar Paulista, na represa Billings. Na ocasião, cerca de 40 pessoas na margem da represa retiraram 20 toneladas de lixo das águas.
"Não temos outra alternativa senão racionalizar o consumo desde o cidadão até a indústria e investir na preservação dos mananciais, combatendo a ocupação dessas áreas"
disse Carlos Bocuhy, organizador da manifestação, destacando que a expansão dos loteamentos clandestinos nas áreas de mananciais vem ocorrendo, nos últimos anos, ao ritmo de 10% ao ano.
As Nações Unidas recomendam a disponibilidade mínima de água per capita de 500 metros cúbicos por segundo - em São Paulo
essa oferta é de 130 metros cúbicos. Bocuhy lembrou que, desde os anos 50, a população cresceu e o consumo per capita de água triplicou, enquanto foi reduzida a capacidade natural de produção de água da região metropolitana. "O desmatamento diminuiu a umidade do solo e a urbanização aumentou sua impermeabilização, reduzindo a quantidade de água que os lençóis freáticos recebem", explica. Como os lençóis abastecem as represas, essa seria a causa de a Billings ter reduzido sua produção média anual de 30 metros cúbicos por segundo para a metade, desde os anos 30.
São Paulo importa hoje de outras regiões cerca de 60% da água que consome, percentual que aumenta com custos crescentes, pois a água tem de vir de áreas cada vez mais distantes. A poluição, por sua vez, também traz gastos sempre maiores, já que para tornar a água potável é preciso submetê-la a tratamentos cada vez mais sofisticados.
O aumento da poluição hídrica é demonstrado por uma pesquisa da bioquímica Gisele França Oliveira, da Universidade de São Paulo (USP), que analisou amostras da Represa Billings. Ela constatou que mesmo a Barragem de Rio Branco, uma das mais preservadas, está contaminada por esgoto doméstico. Fechada há uma década para ser poupada da poluição da Billings, a barragem, que abastece a região do ABC, sofre com a explosão populacional da região.
O governo do Estado anunciou hoje investimentos da ordem de R$ 2,4 milhões em projetos e obras de melhoria da qualidade das águas. Entre eles estão várias obras municipais de saneamento básico, recuperação de mananciais e limpeza de córregos, além de projetos de pesquisa na área.

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