Oferecem US$ 100 mil pela captura de Oviedo
Assunção, 13 (AE-AP) - Num gesto sem precedentes na história do Paraguai, os nove filhos do vice-presidente assassinado Luis Maria Argaña ofereceram hoje (13) US$ 100 mil pela captura do general da reserva Lino Oviedo.
O ministro da Defesa, Nelson Argaña, fez o comunicado aos jornais e rádios em nome da família. O ministro ainda deu o número do telefone para contato: 00595 21 294 474. Só que o número oferecido pertence precisamente ao ministro da Defesa e a partir de hoje haverá uma pessoa 24 horas por dia respondendo às chamadas.
Por outro lado, os países do Mercosul se ofereceram para ajudar a encontrar uma solução para a situação do general da reserva de 56 anos. O deputado Luis Talavera, da ala oviedista do Partido Colorado, disse hoje ao jornal ABC Color ter informações de que a cúpula do Mercosul pressiona Assunção para encontrar uma saída para o conflito com Oviedo.
Talavera disse ainda que os líderes do bloco pensam que seria conveniente o governo do presidente paraguaio Luis González Macchi criar um novo tribunal para julgar Oviedo. O general é acusado de ter tentado um golpe militar em 96, ter mandado assassinar o vice Arganã em março passado e, no mesmo mês, ter ordenado que seus partidários atirassem contra uma manifestação antioviedista, que resultou na morte de sete pessoas e deixou mais de cem feridas.
Oviedo se asilou na Argentina. Contudo, desapareceu na quinta- feira, um dia antes da posse do novo presidente argentino, Fernando de la Rúa. Ele se encontrava na Terra do Fogo, de onde saiu. Há rumores de que estaria em algum lugar do Paraguai. Para Talavera, a intervenção dos países membros do bloco subregional se deve ao fato de que não convém ter um sócio com tantos problemas políticos.
Na sexta-feira à tarde começou a circular em Montevidéu rumores de que Oviedo estaria no Uruguai. Segundo o ministro do Interior, Guillermo Stirling, não existe "nenhum indício sobre isso". Ele confirmou, contudo, que um comerciante do município de Rincón de Melilla teria visto Oviedo com outras quatro pessoas na cidade. Rincón de Melilla fica na periferia de Montevidéu.
Todavia, fontes informaram ao jornal El Observador, de Montevidéu, que Oviedo entrou na quinta à noite no país através da cidade de Colonia em uma caminhonete Subaru azul ou verde escura, com placas de Salto ou Artigas. Ele estaria agora em uma fazenda "de um amigo brasileiro".
Hoje, o ministro do Interior da Argentina, Federico Storani, disse que vai investigar a mulher e os filhos de Oviedo para saber quais são seus objetivos nas próximas semanas. Disse ainda que se o general aparecer na Argentina será expulso para o Paraguai.
A família de Oviedo, e alguns colaboradores, estão em um hotel em Corrientes, cidade argentina a 350 quilômetros da capital paraguaia.





