Oetker quer comprar marcas Sadia e Dona Benta
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quinta-feira, 09 de março de 2000
Por Rosangela Capozoli 
São Paulo, 10 (AE) - A Oetker Produtos Alimentícios Ltda. está em fase final de negociação com a Lapa Alimentos S/A para a aquisição de duas de suas divisões: misturas para bolos e gelatinas. O valor da transação ainda não foi fechado. Existe a pendência da preservação ou não das marcas Sadia e Dona Benta. Se a alemã decidir por mantê-las no mercado o valor da operação ganha novos dígitos. A Sadia Concórdia S/A detém 50% das ações da Lapa e o restante pertence à J. Macêdo Alimentos S/A.
Com dívida da ordem de R$ 34 milhões a empresa é deficitária desde 1993. Há dois anos fechou o balanço acusando prejuízo de R$ 230 mil. Em 1999 o risco aumentou substancialmente e as perdas alcançaram cifras muito superiores: R$ 17,1 milhões. A Lapa, uma empresa diversificada, foi desmembrada por seus acionistas para agilizar a venda.
Dona de dois moinhos de trigo, um em São Paulo e outro em Santos, é produtora da farinha de trigo que leva a marca Dona Benta. Uma fábrica de massas secas em Itapetininga, no Interior do Estado de São Paulo, fabrica a Premiata. As misturas Sadia e Dona Benta e a gelatina Sadia são produzidas na unidade de São Paulo.
"Até o final de abril estaremos analisando as propostas de compra apresentadas por algumas empresas para negociar as outras partes", informou uma fonte. Segundo essa fonte, a negociação que avançou com maior rapidez foi com a Oetker, embora houvesse outros interessados. A indústria que produz massas secas, segundo a fonte, está atraindo atenção de vários empresários do setor. A maior dificuldade, confessa, será negociar os moinhos.
"A J. Macêdo não dispõe de dinheiro para bancar investimentos e decidiu colocar sua parte à venda", afirmou uma fonte do setor. A Sadia alega que não pretende desembolsar numa área que não lhe interessa. "Nosso foco está centrado em produtos de maior valor agregado, por isso não demos prioridade ao segmento", afirma Luiz Gonzaga Murat Junior, diretor de finanças e relações com o mercado. No ano passado a empresa obteve um faturamento bruto de R$ 173 milhões, sendo R$ 40 milhões provenientes das linhas de mistura e gelatina.
Mercado - O setor de misturas para bolo movimentou no ano passado uma cifra próxima a R$ 45 milhões, despejando 29 mil toneladas de bolo no mercado. Pesquisa da ACNielsen revela que o crescimento médio tem sido em torno de 30% ao ano. A produção de misturas para bolo da Lapa beirou 12 mil toneladas em 1999 e a de gelatinas cerca de 7 mil toneladas. A líder de mercado é a marca Sol, da Santista. Dona Benta e Sadia estão em segundo lugar no ranking. As marcas Wilma e Oetker ocupam terceiro e quarto lugares, respectivamente.
Claudia Rocha, diretora de marketing da Oetker, diz "não ter autorização para falar sobre o assunto", porém, garantiu que a Oetker, dentro de um mês, roubará uma fatia do mercado tomando o lugar da mineira Wilma e em breve conquistará a vice-liderança. "Estamos trabalhando neste sentido", afirma.
A Oetker obteve um faturamento de R$ 45 milhões em 1998, saltando para R$ 65 milhões no ano seguinte. A previsão para 2000 é atingir R$ 70 milhões. "Cerca de 19% vêm da mistura para bolo", afirma Claudia. Somando a essas duas linhas a Oetker produz no Brasil chás, sobremessas e snacks. O investimento deverá triplicar este ano ante os R$ 3,5 milhões aplicados no ano passado. "A inteção é desembolsar R$ 10 milhões em aumento de produção e marketing", afirma.
Hoje a alemã detém 14,3% do setor de gelatina e 10% de misturas para bolos. É um mercado apetitoso. Levantamento da ACNielsen revela que de 1997 para cá a Oetker teve um aumento de 105% no volume de vendas de misturas para bolo e 38,5% em gelatinas. O faturamento mundial da alemã foi de US$ 6,3 bilhões em 1998 e a receita do ano passado ainda não foi divulgada. Com 200 empresas espalhadas pelo mundo a Oetker atua nas áreas marítima, turismo, alimentos e bebidas.


