Aumento dos focos do Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue e febre amarela, deixa em alerta as unidades sanitárias da região
Edson MazzettoPONTO CRÍTICOFuncionários da Fundação Nacional de Saúde procuram focos do mosquito em Cascavel: atenção redobradaEdson MazzettoO corretor de imóveis Gerson Stocco, que frequentemente viaja para a região Centro-Oeste, toma vacina contra febre amarela

Paulo Pegoraro
De Cascavel

Altas temperaturas e chuvas constantes estão provocando uma grande proliferação de focos do mosquito Aedes aegypti, em cidades do Oeste paranaense, deixando em alerta os serviços sanitários, por causa do risco de disseminação de doenças como a dengue e febre amarela. Em algumas cidades, no final do ano passado, campanhas de limpeza de entulhos e eliminação de depósitos de águas paradas, reduziram os focos do mosquito, mas agora os índices de proliferação são crescentes e alarmantes.
A Organização Mundial de Saúde considera ‘‘aceitável’’ índice máximo de 1%, ou seja, em cada mil locais inspecionados, até dez com focos do mosquito. Em Cascavel, em dezembro do ano passado o índice havia caído para 0,2%, mas agora a média está em 0,79% e em muitos bairros acima de 1%. Nos ‘‘pontos estratégicos’’, como borracharias e locais onde há entulhos e águas paradas, passou de 7,58% para 16,90%, segundo Tatianne Cavalcanti Frank, coordenadora municipal do Programa de Erradicação do Aedes Aegypti, desenvolvido em conjunto com órgãos como a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
Em Toledo (40 quilômetros a oeste de Cascavel), o índice médio geral chega a 6,72%, segundo Maria Goretti Mizuki, da Vigilância Sanitária. No ano passado, em julho, havia sido baixado para 0,69%, mas com o encerramento de convênio com a Funasa para combate ao mosquito, o índice foi subindo paulatinamente. Maria Goretti afirma que o índice extremamente elevado – em comparação com Cascavel, por exemplo – é observado em decorrência de um minucioso trabalho de inspeção em todos os pontos da cidade, com a mobilização de 40 agentes comunitários para visitas domiciliares, após novo convênio.
Funcionários da Funasa estão fazendo dedetização em todos os locais de proliferação do aedes, com atenção especial para os ‘‘pontos críticos’’. Paralelamente, a população está sendo orientada a se vacinar contra a febre amarela, por causa do crescente número de casos da doença em outras regiões brasileiras. Até agora, cerca de metade da população já foi vacinada. Em Cascavel, em apenas um posto de Saúde, o Central, são imunizadas em média 800 pessoas por dia. A cidade é confluência de rodovias que ligam o Paraná ao Centro-Oeste do País, onde pessoas foram picadas pelo mosquito transmissor da febre.
A dedetização em Cascavel estava suspensa desde 17 de dezembro do ano passado, por falta do produto químico, férias de funcionários e depois problemas com uma caminhonete utilizada para o serviço. A caminhonete já está disponível, e foram conseguidos 40 quilos ao produto em Guaíra. Segundo Paulo Tenório, chefe interino da Funasa, a borifação era feita trimestralmente em cada local, mas passa a ser feita mensalmente porque as águas das chuvas ‘‘lavam’’ o produto, eliminando seu efeito residual.