OEA volta a denunciar caso de meninos mortos
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sexta-feira, 30 de novembro de 2001
Agência Folha <br> De São Paulo 
Pela segunda vez em menos de três meses, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização de Estados Americanos (OEA) acatou denúncia contra o governo brasileiro pelos crimes que ficaram conhecidos como o ''caso dos meninos emasculados do Maranhão''. O primeiro inquérito havia sido aberto em 6 de setembro.
Na petição aceita ontem, as organizações não-governamentais Justiça Global e Centro de Defesa dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes Padre Marcos Passerin questionam a demora injustificada na apuração dos assassinatos de Eduardo Rocha da Silva, 10, e Raimundo Nonato da Conceição Filho, 11, ocorridos em junho de 97.
Nos últimos dez anos, foram registrados 21 casos de garotos mortos com idades entre 9 e 15 anos que tiveram seus órgãos genitais extirpados.
Para o diretor-executivo da Justiça Global, James Cavallaro, ''as autoridades maranhenses estão dificultando a apuração da Polícia Federal, fingem que estão resolvendo o caso e permitem que os assassinos continuem soltos''.
De acordo com ele, apenas uma pessoa foi condenada e solta um ano depois. ''A polícia não tem sido capaz de investigar. O que existe até agora são inquéritos abertos, não o esclarecimento de casos.'' ''O papel do governo estadual é garantir que os culpados sejam presos, as crianças possam voltar a brincar e os pais tenham tranquilidade. Hoje visa mais proteger a imagem da governadora (Roseana Sarney/PFL) que a vida dos meninos'', afirmou Cavallaro. A governadora não foi localizada para comentar a declaração.
A participação da PF foi recomendada por decisão unânime da CDDPH (Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana) no início do mês, mas a polícia maranhense continua coordenando as investigações.
Desde a primeira denúncia da OEA, três pessoas foram presas e acusadas de participação em algumas das mortes. Outros quatro casos foram desarquivados.


