Curitiba- A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) recomendou ontem que os governos federal e estadual voltem a investigar o assassinato do trabalhador rural Sétimo Garibaldi, ocorrido em 27 de novembro de 1998, em Querência do Norte, Noroeste do Estado. A recomendação foi feita ontem, durante reunião realizada em Washington, capital dos Estados Unidos.
O caso tramita na CIDH desde dezembro de 2004, sete meses após o inquérito policial ter sido arquivado pelas autoridades paranaenses. O assassinato aconteceu na Fazenda São Francisco, onde Garibaldi estava acampado junto com um grupo de sem-terra. Segundo relato da organização não governamental Justiça Global, uma das que ajudaram a levar o caso à OEA, 20 homens encapuzados teriam entrado na fazenda sem autorização judicial para desocupar a área. Eles teriam obrigado as pessoas que dormiam no acampamento a se deitarem e atiraram contra Garibaldi, que foi atingido na coxa esquerda. Como ele não recebeu socorro, acabou sangrando até morrer.
O fazendeiro Morival Favoreto e seu funcionário Ailton Lobato foram apontados como os cabeças da operação. Mas como o Ministério Público (MP) estadual considerou na época que não haviam indícios suficientes contra os dois, eles não foram denunciados pelo crime.
Na sessão de ontem da CIDH, integrantes da Justiça Global tinham a esperança de sair com um acordo para que o Estado indenizasse a viúva e os quatro filhos de Garibaldi. Mas, ao fim da reunião, a comissão apenas fez uma série de recomendações. A principal é que seja feita ''investigação completa, imparcial e efetiva da situação, com o objetivo de definir a responsabilidade pelo assassinato, punir os responsáveis e determinar os fatores que impediram a investigação e julgamento efetivos''. Quanto à indenização, a CIDH recomendou que a família do agricultor seja ressarcida moral e materialmente pelas violações sofridas. Além de integrantes das entidades que pedem a investigação do caso participaram da reunião representantes do governo federal.

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