OEA condena Brasil por grampos contra MST
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sexta-feira, 07 de agosto de 2009
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Estado brasileiro foi condenado nesta semana pela Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) por interceptação telefônica ilegal de associações ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), em Querência do Norte (a 113 km de Paranavaí), em 1999. A sentença determina indenização às vítimas e abertura de investigação sobre o assunto, entre outras deliberações.
A denúncia havia sido apresentada à OEA em 2000 por um grupo de entidades, entre elas o MST e a ong Terra de Direitos. Segundo os denunciantes, em maio de 1999 a Polícia Militar solicitou à Justiça de Loanda autorização para grampear linhas telefônicas de associações ligadas aos sem-terra. De acordo com a Terra de Direitos, a permissão foi concedida sem fundamentação, sem aviso ao Ministério Público e ignorando a premissa de que à PM não cabe o trabalho de investigação. Além disso, o período da interceptação teria ultrapassado o prazo legal.
Ainda segundo os denunciantes, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) divulgou à época trechos das gravações supostamente de forma tendenciosa. Havia um contexto de criminalização dos movimentos sociais, com prisões, processos e despejos. O método de repressão não contava apenas com o aparato do Poder Executivo (à época, o governador era Jaime Lerner), mas também do Judiciário, comentou Darci Frigo, coordenador da Terra de Direitos.
A Advocacia Geral da União (AGU), que apresentou a defesa do Estado brasileiro no caso, não atendeu à solicitação de entrevista feita ontem pela reportagem.


