OEA adverte contra repetição de irregularidades no segundo turno
Lima, 14 (AE-AP) - O chefe dos observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) no Peru, o guatemalteco Eduardo Stein, advertiu hoje (14) contra a repetição, no segundo turno da disputa presidencial, das irregularidades denunciadas no primeiro. Embora tenha concluído que os resultados oficiais da votação de domingo foram "consistentes" com contagens paralelas da OEA e de grupos independentes, Stein afirmou: "Se se repetirem as condições do primeiro turno, será algo impossível de validar."
A Defensoria do Povo, a organização independente Transparência e o candidato oposicionista à presidência Alejandro Toledo estão exigindo mudanças nas regras do jogo para garantir a limpeza do segundo turno, que deve ser realizado no fim de maio ou início de junho. Entre as reivindicações comuns estão a garantia de acesso equilibrado aos meios de comunicação, o acompanhamento independente da contagem e recontagem de votos, e a neutralidade do Estado.
A Transparência informou ter recebido mais de 600 denúncias de irregularidades relativas ao primeiro turno, que "não cumpriu nenhum dos requisitos mínimos de um processo democrático - regras claras e estáveis, neutralidade do Estado, competição legítima, confiança e credibilidade nos organismos eleitorais e sistema de contagem eficaz, acessível e verificável".
Hoje a Transparência denunciou a existência de mais votos registrados nas atas eleitorais do que o total efetivamente depositado nas urnas no domingo. A entidade ressaltou que um informe oficial do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), divulgado quando haviam sido tabulados 86,77% dos sufrágios, mostrava que 9.282.464 pessoas haviam votado, mas, ao mesmo tempo, contabilizava 10.659.792 votos. Essa diferença de cerca de 1,4 milhão é maior que a vantagem que, segundo os dados oficiais, o presidente Alberto Fujimori obteve sobre o oposicionista Alejandro Toledo.
"Essa discrepância só pode vir de duas fontes: alguém que aumentou os votos para alterar a ata, ou alguém que acrescentou votos nas urnas de forma fraudulenta", disse o secretário-geral da Transparência, Rafael Roncagliolo. Ele explicou que a lei eleitoral de 1997 permite a tabulação de mais votos do que votantes como um erro de contabilidade. "Essa lei é um desastre total", afirmou, qualificando de "clandestino" o processo de cômputo dos votos. O Onpe alegou que os membros das mesas erraram na contagem.
Fujimori garantiu que não houve fraude e ficou contente com a votação que obteve domingo. "Fiquei satisfeito com a contagem final que me dá uns 49,9% dos votos, depois de dez anos de governo num país com problemas complicados", afirmou ele à Associated Press na noite de quinta-feira, em sua primeira entrevista desde o primeiro turno. Fujimori criticou o "manejo das massas" por Toledo e advertiu que as propostas do adversário "levam ao rompimento do equilíbrio e estabilidade macroeconômica obtidos com grandes esforços".
Já Toledo desafiou Fujimori para um debate e pediu várias mudanças para o segundo turno, incluindo a troca do "desacreditado" pessoal técnico do Onpe. "Sem fraude, Fujimori não vence", afirmou.





