São Paulo, 3 (AE) - O presidente da OPP Petroquímica e da Trikem (empresas da Odebrecht Química), álvaro Cunha, disse, durante encontro da cadeia produtiva de plásticos, em São Paulo, que a empresa não pretende acionar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre um documento da Petrobrás que favorece a Rio Polímeros. Segundo empresários do setor que tiveram acesso ao documento assinado pelo ex-presidente da estatal, Joel Rennó, em 1997, é garantido o fornecimento do gás ao Pólo Gás-Químico do Rio, por 15 anos, com desconto de 5% a 10% no produto. A OPP é sócia da Petrobrás no Pólo do Planalto Paulista, em Paulínia (SP).
A Rio Polímeros receberá o gás da Bacia de Campos, considerado rico, porque 20% dele pode ser aproveitado como insumo petroquímico e o restante como combustível ou para queima na geração de energia elétrica. O gás para uso petroquímico custa 65,53% do valor do gás combustível. Ou seja, é subsidiado pela Petrobrás. A Rio Polímeros afirma que o documento assinado por Rennó não contempla descontos. Mas, antes mesmo de iniciar a produção (prevista para 2002), confirma que já fechou contratos de exportação de resinas. Um negócio inviável se o insumo fosse a nafta, cujo preço depende da variação do petróleo.
"A correlação de preços tende a favorecer o gás natural. E o investimento em uma central de matérias-primas que processa nafta é muito maior do que em uma que usa etano, a parte rica do gás que serve para a produção de petroquímicos", avalia o ex-presidente da Petrobrás Química (Petroquisa), Percy Louzada de Abreu.
O Pólo do Planalto Paulista, cuja âncora é a Companhia Petroquímica Paulista, joint-venture entre Petrobras e Odebrecht Química - analisada pelo Cade como Ato de Concentração -, também utilizará o gás. O produto virá da Bolívia e será separado. Desse gás considerado pobre, porque apenas 4% a 5% dele serve como insumo petroquímico, o restante também será usado em termelétricas e como combustível.

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