Ocupada grande fazenda de tabaco do Zimbábue
HARARE, Zimbábue, 24 (AE-AP) - Cerca de 700 veteranos armados da guerra de independência de Zimbábue ocuparam no domingo à noite a fazenda Forester, que contém uma das maiores plantações de tabaco do mundo, a 100 quilômetros da capital do país, Harare. A invasão foi a mais recente das cerca de mil ocupações de propriedades de brancos realizadas nas últimas semanas pelos veteranos negros, aliados do presidente do país, Robert Mugabe.
Após a ocupação, os invasores foram convencidos por policiais a deixar em liberdade o administrador da propriedade, Duncan Hamilton, e sua família, que tinham sido sequestrados três horas antes. Na semana anterior, dois fazendeiros brancos foram mortos durante as invasões.
Além da Forester, uma outra fazenda, em Wedza, a 130 quilômetros de Harare, também foi atacada no domingo. Ali, vários hectares de plantações de tabaco foram incendiados e um trabalhador negro foi sequestrado pelos veteranos, que entre 1972 e 1980 lutaram ao lado de Mugabe contra o domínio britânico.
Como herança do período colonial, a quase totalidade das propriedade cultiváveis do Zimbábue está em mãos de fazendeiros brancos. Numa medida populista, destinada a garantir votos para as eleições parlamentares de maio, Mugabe declarou há uma semana que não reprimiria as invasões.
Mas, segundo testemunhas, a pressão internacional para que o governo zimbabuano intervenha para frear a violência política está surtindo resultados. "A polícia está agindo de forma muito mais ativa nas últimas 48 horas para garantir a segurança dos proprietários", disse o presidente da associação dos fazendeiros, Tim Henwood.
A advertência mais dura ao governo de Mugabe veio de Londres, onde o chanceler britânico, Robin Cook, afirmou que a ajuda da Grã-Bretanha a Zimbábue seria suspensa até que a onda de violência não terminasse.
Por sua parte, o governo australiano, por meio do ministro da Imigração, Philip Roddock, ofereceu refúgio aos fazendeiros que queiram abandonar Zimbábue.





