Ocupações de escolas ganham força em Maringá
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de maio de 2016
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
A má qualidade da merenda, a falta de professores e a infraestrutura precária estão entre as reclamações dos manifestantes que ocupam três colégios estaduais em Maringá. As aulas no Tancredo Neves e Adaile Maria Leite foram suspensas na manhã de ontem. "Fizemos uma ocupação pacífica. Nós nos reunimos e decidimos parar o colégio. A infraestrutura está horrível. A gente não tem uma quadra, não tem refeitório, os bebedouros estão rachados, tem goteiras nas salas e não tem merenda. A gente tem uma preocupação muito grande com a segurança também porque não tem muro, é só um alambrado. Para não faltar merenda, o diretor busca produtos em outras escolas", relatou a estudante Isabela Oliveira, do Colégio Tancredo Neves.
Cartazes contra o governo do Estado foram fixados no portão de entrada e o acesso ao colégio passou a ser controlado pelos estudantes. Durante a tarde, cerca de 30 manifestantes permaneciam na escola com o apoio de integrantes da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes). O representante da comissão de comunicação da Upes, Jefferson Henrique Alves, explicou que os alunos serão divididos em comissões que ficarão responsáveis pela limpeza do espaço, preparo dos alimentos e segurança, entre outras funções.
Durante a ocupação, o colégio estará aberto para oferecer atividades culturais e palestras para a comunidade. "É uma luta de todo o Paraná. Mais colégios devem ser ocupados em Maringá e em outras cidades. Vamos ficar por tempo indeterminado até conseguirmos todas as respostas", adiantou Alves, que veio de Mandaguaçu, a 20 km de Maringá, para participar da manifestação.
Após ocupar duas escolas na manhã de ontem, parte do grupo seguiu para o Colégio Branca da Mota Fernandes para tentar conversar com os alunos que estavam em sala de aula. Porém, o grupo não chegou a entrar na escola.
No Colégio Gerardo Braga, ocupado há uma semana, aproximadamente 60 pessoas permanecem no local. A diretora de comunicação da Upes, Keilla Nascimento da Silva, ressaltou que objetos e materiais da escola não estão sendo utilizados pelos manifestantes. "O que estava estragado, a gente até arrumou. Os chuveiros não tinham água quente e o corrimão da entrada a gente também consertou. Estamos dormindo aqui e comendo alimentos doados", contou. Os estudantes trancaram a sala em que ficam armazenados os alimentos destinados à merenda e a chave foi entregue à direção do colégio. "Nós queremos também a abertura de uma CPI para investigar a compra da merenda", completou Keilla. A reportagem não foi autorizada a fotografar a área interna dos colégios.
Alguns professores e representantes da comunidade apoiam a manifestação. "É um movimento pacífico. Eles estão bem organizados e não reivindicam nada mais que o básico para a educação. Eles pedem melhorias e a aquisição de novos equipamentos para as salas de aula, por exemplo. Até hoje só recebemos aqueles televisores laranjas", lembrou uma professora, que foi até o colégio para doar alimentos ao grupo.
Em nota, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) informou que "determinou a abertura de sindicâncias para apurar a situação nos colégios ocupados em Maringá". Representantes do Núcleo Regional de Educação de Maringá e da Patrulha Escolar foram acionados para acompanhar a manifestação. As ocupações foram comunicadas ao Ministério Público e ao Conselho Tutelar. Conforme a Seed, 2.117 alunos dos três colégios permanecem sem aulas. O calendário de reposição dos conteúdos será definido posteriormente.
A secretaria ressaltou ainda que a terceira entrega de alimentos não perecíveis da merenda escolar deve ocorrer a partir das próximas semanas, assim como o repasse de itens da agricultura familiar. "As escolas estaduais já receberam, aproximadamente, 3 mil toneladas de alimentos destinados à merenda escolar desde o início do ano letivo. Além disso, o governo do Paraná depositou R$ 2,6 milhões, em abril, direto na conta das escolas para que pudessem adquirir complementos até a chegada das próximas remessas", diz a nota.


