Pensar no futuro de uma cidade como Londrina implica, entre outras coisas, em definir para onde e como o sistema viário vai crescer. Londrina começou pequena, as primeiras ruas nasceram do projeto de colonizadores ingleses, e cresceu rapidamente, atingindo inclusive as divisas dos municípios vizinhos, a oeste, Cambé e a leste, Ibiporã. Mesmo sem querer classificar como desordenado o crescimento da cidade, o arquiteto urbanista João Baptista Bortolotti acredita que Londrina teve um desenvolvimento viário com ''planejamentos acanhados''.
Para tentar ordenar a malha viária da cidade no futuro, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul) aprimorou, no último ano, um projeto de estruturação macroviária, já previsto no Plano Diretor da cidade, mas que ainda não estava totalmente definido. Arquitetos e engenheiros definiram as ''veias'' ou avenidas que vão ''acontecer'' no futuro e que vão permitir acesso rápido e interligado aos bairros e cidades vizinhas.
O projeto Plano Estratégico de Expansão e Adequação Viária (PEEAV) também propõe novidades, a criação do Anel do Emprego, a flexibilização do zoneamento na região do anel e a implantação de um novo paradigma de ocupação. Para a arquiteta Celina Ota, coordenadora do PEEAV, o importante desse projeto é que a comunidade vai poder discutir suas vantagens e desvantagens e apontar melhorias. ''A gente tem que pensar no crescimento da cidade no futuro e não apenas em 'apagar incêndios' no sistema viário atual'', avaliou. Antes de ser encaminhado para aprovação na Câmara Municipal, o projeto será discutido com a população, através de uma audiência pública que deve acontecer este mês.
Segundo a arquiteta, o projeto definiu e dimensionou o que já estava previsto no Plano Diretor, a estruturação macroviária em quatro eixos na direção norte-sul e outros quatro eixos na direção leste-oeste. A junção dos pontos comuns desses eixos forma um anel viário de 42 quilômetros interligando os bairros de todas as regiões da cidade. O trabalho de detalhamento das rotas e de geometria foi feito a partir de uma base cartográfica atualizada do município. O dimensionamento das rótulas e os cálculos da capacidade de trânsito nas vias foi feito, de acordo com a arquiteta, segundo regras do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
O projeto do anel prevê o aproveitamento das vias já existentes e não vai requerer desapropriações, segundo a arquiteta. As ruas deverão ser alargadas em 10 metros aproveitando-se os recuos. Assim, as vias que vão compor o anel terão de 30 a 40 metros. As vias do anel são planejadas para terem três pistas de cada lado, uma delas preferencial para ônibus, e estacionamento transversal (''espinha de peixe''). ''A idéia para o canteiro central é criar uma motovia, já que o trânsito de motos é intenso na cidade'', disse Celina.
O PEEAV foi elaborado através de um convênio de R$ 100 mil com a Caixa Econômica Federal e R$ 20 mil de contrapartida da prefeitura.

mockup