Porto Alegre, 15 (AE) - O governo do Rio Grande do Sul emitiu nota hoje à tarde afirmando estar "muito preocupado" com a tensão entre produtores rurais e integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) que ocuparam a fazenda Capivari, no município de Hulha Negra, sul do Estado. De acordo com a nota do Palácio Piratini, por volta das 19h30 de ontem um grupo de fazendeiros que foi ao local deu tiros para o alto para intimidar os invasores. O secretário da Agricultura, José Hermeto Hoffmann, responsabilizou o governo federal pela situação.
"Qualquer problema que possa ocorrer na fazenda é de responsabilidade integral do governo federal, que não está cumprindo com sua parte no processo de reforma agrária, assim como dos fazendeiros caso eles tomem qualquer atitude de violência", disse Hoffmann. Técnicos da secretaria estão acompanhando a situação e policiais militares foram enviados ao local para evitar que o problema se agrave.
No sábado pela manhã os produtores foram até a propriedade para fazer uma vigília e proteger os bens dos proprietários enquanto o pedido de reintegração de posse tramita no fórum de Bagé. Eles tomaram a decisão depois que os sem-terra
armados de foices e facões, impediram, na véspera, a entrada de cinco oficiais de justiça para vistoriar a área.
A fazenda foi invadida na madrugada de quinta-feira por 1,2 mil pessoas ligadas ao MST. Os invasores querem mais rapidez no programa de reforma agrária para assentar as 3,5 mil famílias de sem-terra que existem no Estado. Em junho o governo gaúcho e o Ministério da Reforma Agrária firmaram um convênio de cooperação técnica para acelerar o processo de vistorias e desapropriações de áreas, mas o governo federal "entravou" o trabalho, afirma a nota distribuída hoje pelo Piratini.

mockup