Cerca de 80 integrantes do MST ocuparam ontem, por mais de três horas, os corredores de acesso aos gabinetes do ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann, e do presidente do Incra, Milton Seligman. ‘‘É um ato covarde’’, afirmou Jungmann, que teve a porta de seu gabinete destruída durante a invasão. Ele disse que a ocupação representa o rompimento do MST com o governo. ‘‘Fica clara a ruptura de um processo de negociação.’’
‘‘Foi uma agressão, uma atitude política injustificável’’, disse o ministro, irritado, ao anunciar que o governo vai processar os sem-terra. Os integrantes do MST reivindicam financiamentos, divisão das áreas já desapropriadas no DF, entorno de Brasília e Goiás, e R$ 15 mil para um encontro estadual do MST.
SurpresaA Polícia Federal vai abrir inquérito para responsabilizar os líderes da invasão, que terminou pouco antes das 15 horas, quando os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e os deputados Adão Pretto (PT-RS) e Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) pediram que os sem-terra fossem recebidos pelo ministro. Jungmann condicionou o encontro à desocupação do prédio, o que foi aceito.
A ocupação pegou a PM de surpresa. Uma tropa de 200 soldados só chegou ao local depois que os sem-terra haviam ocupado os quatro elevadores do prédio e subido aos 18º, 20º e 21º andar. ‘‘Não sabíamos de nada’’, confirmou o comandante da PM no DF, coronel Aníbal Person Neto. A invasão estava programada há uma semana.

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