Cuiabá, 20 (AE) - A ocupação da sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Cuiabá obrigou a direção do órgão no Mato Grosso a transferir, a partir hoje (20)
todas as atividades e funcionários para a cidade de Cáceres, oeste do Estado, distante 220 quilômetros da capital. Há um mês o Incra continua invadido por mais de 1 mil trabalhadores rurais ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST).
Em represália à decisão, o MST ameaça invadir também amanhã (21) o escritório na cidade. Não haverá mais negociações entre o MST e o Incra no Estado. A transferência da capital para o interior, justificou o superintendente Clóvis Cardoso, foi a saída encontrada para que o órgão continue desenvolvendo as atividades enquanto a sede permanecer ocupada. Todas as despesas dos 20 funcionários com hospedagem e alimentação serão pagas pelo Incra.
A mudança foi determinada pelo presidente do Incra, Orlando Muniz, em cumprimento à determinação do ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann. Segundo Clóvis Cardoso, as prioridades do órgão em Mato Grosso são vistorias de 14 áreas - a maioria localizada em Cáceres e Rondonópolis (sul do Estado) -, o repasse de R$ 10 milhões a 5,8 mil famílias para a construção de casas nos 30 projetos de assentamento.
No período em que o Incra permanece ocupado não foi realizada nenhuma vistoria, e vários processos de desapropriação tiveram seu trâmite interrompido. O superintendente informou que existem 6 mil famílias aguardando a normalização das atividades do órgão para receber a complementação dos créditos de custeio agrícola. Devido a ocupação da sede, mais de 3 mil hectares de terras para projetos de assentamentos não foram demarcadas no Estado.

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