A expectativa de negociação pode acabar com o drama da família de Adriana Paggi de Andrade, que teve duas fazendas invadidas, em Quedas do Iguaçu (165 km a leste de Cascavel) há cerca de um mês. Segundo Adriana, desde a invasão das fazendas Três Elos e Campo Novo, seu pai, Darceu Ribeiro de Andrade, e seu irmão, Marcos Paggi de Andrade, estão sem poder trabalhar. ''Meu irmão ficou sem casa, e o único meio de sobrevivência dele e do meu pai é essa terra'', afirmou. A fazenda Campo Novo é de propriedade do tio de Adriana, Darci Ribeiro de Andrade.
As duas fazendas, segundo Adriana, localizadas em área contínua, eram usadas para criação de gado e cultivo de soja, milho e feijão, e foram ocupadas por cerca de 300 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Parte das 2,5 mil cabeças de gado foram retiradas do local por seus proprietários, depois da invasão, mas, segundo Adriana, houve uma perda de cerca de 500 cabeças. ''Pelo menos 30 foram mortos pelos sem-terra. Além disso, meu pai está pagando para deixar o gado em outros locais, e outra parte foi vendida a 'preço de banana'', reclamou.
Segundo o advogado da família, Edemar Antonio Zilio Júnior, a expectativa é que a reintegração de posse, expedida também há quase um mês, seja cumprida nas próximas semanas. ''É a única propriedade que possui e ele vive do que produz. A invasão repercutiu financeiramente'', disse, se referindo a Darceu.
Ontem, a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública confirmou que as ''negociações estão adiantadas''. Segundo a assessoria, a filosofia do governo é fazer as desocupações pacificamente, através de negociações, com prioridade para aquelas que estão ocupadas há mais tempo. A reportagem da Folha não conseguiu contato ontem com a coordenação estadual do MST em Quedas do Iguaçu.

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