Curitiba- Integrantes da Via Campesina comemoraram ontem um ano de ocupação da estação de pesquisa da empresa Syngenta em Santa Tereza do Oeste (24 km ao sul de Cascavel). No local, cerca de 70 famílias estão cultivando produtos orgânicos. ''Já estamos indo para a segunda safra. Na primeira, plantamos feijão, arroz, mandioca, batata, amendoim e vários outros tipos de alimentos'', disse Claudemir Brizola.
O representante da Via Campesina disse que as famílias estabelecidas na área, chamada de Acampamento Terra Livre, produzem para subsistência e comercialização. E planejam uma feira de produtos orgânicos na fazenda. Brizola diz que a situação da propriedade melhorou depois da ocupação. ''No ar você percebe a diferença. Quando ocupamos a área, havia um cheiro insuportável de veneno. Agora, já estão aparecendo passarinhos e borboletas'', afirmou.
A fazenda foi ocupada duas vezes. Após a primeira ação, a Syngenta obteve uma liminar para desocupação da área. O Governo do Paraná não cumpriu a reintegração de posse e a empresa ingressou com outra ação. A Justiça estabeleceu multa diária de R$ 50 mil caso o Governo do Estado não realizasse a desocupação.
As famílias saíram da fazenda em outubro e montaram acampamento em frente ao local. Em novembro, o Governo do Paraná publicou um decreto de desapropriação justificando criar um centro de agroecologia na fazenda. A Syngenta ingressou com um mandado de segurança e em fevereiro o Tribunal de Justiça concedeu liminar, suspendendo a desapropriação. Na época, os integrantes da Via Campesina voltaram a ocupar a fazenda. ''O retorno foi uma medida de segurança, já que estávamos sendo ameaçados por ruralistas'', disse Brizola.
No ano passado, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou a Syngenta em R$ 1 milhão, porque a empresa estaria realizando experiências com transgênicos na fazenda, que fica a seis quilômetros do Parque Nacional do Iguaçu. Depois, o Governo Federal diminuiu a zona de amortecimento em torno de áreas de preservação de 10 quilômetros para 500 metros.
Em fevereiro, o Governo do Paraná apresentou agravo regimental contestando liminar obtida pela Syngenta. Alegou que não haveria perigo na demora para apreciação do mandado de segurança, já que a fazenda teria sido embargada pelo Ibama e a empresa não poderia continuar as pesquisas.
O advogado da Syngenta, Renê Dotti, disse que o agravo regimental será apreciado em sessão do órgão especial do TJ segunda-feira. Dotti afirmou que a empresa está fazendo a defesa administrativa sobre a multa e negou que a área esteja embargada.

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