Ocupação da UFPR ameaça pagamento
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terça-feira, 23 de outubro de 2007
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba- Caso os estudantes não desocupem, até quinta-feira, o prédio da Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR), invadido há sete dias, em Curitiba, uma série de compromissos financeiros e administrativos da instituição não poderá ser cumprida. Corre o risco de atrasar o salário de mais de cinco mil servidores públicos, entre professores e técnicos, além do pagamento de mil funcionários de empresas terceirizadas e de mais de 2 mil bolsas de gradução e mestrado.
O reitor da UFPR, Carlos Moreira Júnior, acrescenta outro possível prejuízo: não será feito o empenho para aquisição de alimentos perecíveis utilizados no preparo de 28 mil refeições servidas, por semana, no Restaurante Universitário. Isso significa que os estudantes podem passar o período à base de arroz e feijão. ''Se os invasores desocuparem o imóvel até a quinta, ainda teremos tempo de rodar a folha de pagamento. Caso contrário, eles é que terão que prestar conta a todas as pessoas prejudicadas'', alerta o reitor.
Ontem de manhã, oficiais de justiça compareceram, ao local, para retirar os estudantes, cumprindo liminar de reintegração de posse à UFPR, concedida pela Justiça Federal, na última sexta. Mas a comunidade universitária optou por uma desocupação pacífica. ''Acordamos que o Conselho Universitário (COUN) fará uma reunião informativa, na quarta-feira, para discutir amplamente o nosso projeto de adesão ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) e só depois tomar uma decisão'', disse o reitor. Ele informa que os oficiais estão identificando os invasores para que respondam individualmente sobre os danos causados pela ocupação.
Cabe ao COUN também permitir a realização de um plebiscito para decidir o ingresso ou não da UFPR no Reuni, principal reivindicação dos estudantes invasores. ''Recuamos e aceitamos a realização do plebiscito paritário, ao invés do universal. Mas só desocupamos o prédio se mais da metade do COUN se comprometer a legitimar o plebiscito'', disse a estudante Alexandra Bandolin, da comissão de imprensa da ocupação.


