Ocorrência frequente no HU de Londrina
Londrina - O Hospital Universitário de Londrina é o serviço de referência na região para abortos legais. Segundo o médico Evaldir Bordin Filho, chefe do Pronto Socorro (PS) da instituição, por ano são realizados no hospital de três a cinco abortos com autorização judicial. A causa mais comum, informa ele, é a anencefalia.
Diariamente, porém, o HU recebe de seis a sete pacientes com sangramentos no primeiro trimestre de gestação por ameaça de aborto, aborto já constatado ou aborto retido (quando o feto não se desenvolve dentro do útero). Muitos são espontâneos, outros são provocados, geralmente pelo uso de misoprostol adquirido no mercado negro. Nestes casos, mesmo que os médicos desconfiem do uso do medicamento, é difícil comprovar, já que as mulheres negam, pelo medo de responder judicialmente pelo ato. "Quando a mulher admite que induziu o aborto ou quando há como provar, somos obrigados por lei a denunciar o fato", informa Bordin.
De acordo com o Código Penal brasileiro, o autoaborto pode resultar de um a três anos de detenção. "As mulheres têm medo de ser criminalizadas, por isso buscam as próprias soluções, muitas vezes colocando a própria vida em risco. Este é um problema muito sério de saúde pública e uma discussão que tem muito a avançar", adverte Rosângela Talib.
Segundo a representante do CDD/BR, há uma estimativa baseada no índice de curetagens (procedimento médico para a retirada de material placentário ou endometrial da cavidade uterina) feitas no SUS - de que sejam realizados cerca de um milhão de abortamentos inseguros no País por ano, o que gera um alto índice de mortalidade materna. "Além de ser uma das principais causas de morte de mulheres no Brasil (na Bahia é a principal causa), os abortos clandestinos levam, em muitos casos, a sequelas irreparáveis, como a infertilidade, resultado de graves inflamações", ressalta Rosângela Talib. A psicóloga, que acompanha de perto o assunto desde 2011, acredita que os números oficiais sejam subnotificados, justamente pela criminalização do aborto no País.
Além do HU de Londrina, o Paraná tem outros quatro hospitais que são referência para aborto legal. A reportagem entrou em contato com três deles - Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba; Hospital Costa Cavalcanti, em Foz do Iguaçu; e Hospital Universitário da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Até o fechamento desta edição, porém, nenhum deles deu retorno aos pedidos de informações. No caso do Hospital Universitário do Oeste do Paraná, em Cascavel, não foi possível o contato com a assessoria de imprensa da instituição. (S.L.)





