Ocla quer intermediar 10% do volume do médio varejo em um ano
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2000
Por Deborah Kanarek 
São Paulo, 10 (AE) - O portal Ocla (Open Commerce LatinAmerica), que será lançado no início de março, espera em um ano estar intermediando cerca de 10% dos R$ 15 bilhões faturados por oito mil lojas de supermercados entre quatro e dez check outs (caixas) do país. A previsão é do executivo da VB & P-Brasil", Flávio Meira Penna. "Em um ano, o portal estará recebendo investimentos de US$ 15 milhões e deverá, em uma primeira etapa, envolver 50 indústrias e 6 mil supermercados do centro-sul do País".
O www.ocla.net nasce com uma central de comércio eletrônico em pleno funcionamento. É formada por 215 supermercados independentes e 11 indústrias de grande porte, entre elas Nestlé, Garoto, Gessy Lever, Procter & Gamble e Johnson. Isso é resultado de quase quatro anos de experiência em relações comerciais por EDI (Intercâmbio Eletrônico de Dados), por meio do projeto Sincovaga, desenvolvido pela FIA (Fundação Instituto de Administração) da Universidade de São Paulo (USP).
Para o consultor de varejo Nelson Barrizzeli, professor da USP e responsável pela estruturação conceitual e estratégica do portal, a migração tecnológica de EDI para Web-EDI foi uma evolução natural. "A central de comércio eletrônico inicia suas atividades com uma alta padronização no relacionamento fornecedor/cliente", diz Barrizzeli. A distribuição dos pedidos será feita pela empresa de logística Delta Records, que inicialmente vai operar apenas na Grande São Paulo.
O portal para fornecedores e empresas de varejo foi criado a partir da iniciativa das empresas Paradigma Tecnologia e OpenCommerce, tendo a Violy, Byorum & Partners/Brasil na operação financeira e o suporte tecnológico da Microsoft Brasil e da Interchange. Conta ainda com o apoio do Banco Cidade.
Em 2002, os sócios do portal esperam abrigar mais de duas mil lojas de supermercadistas do Norte e Nordeste e 50 fornecedores. "Em 24 meses, a central de comércio eletrônico estará disponível em todo o Brasil e nos países do Mercosul", prevê Jaime de Paula Jr, diretor da Paradigma Tecnologia.
O portal, e em especial a central de comércio eletrônico
fundamentam o conceito comunitário, onde todos podem fazer transações com todos simultaneamente, explica o diretor da OpenCommerce, Jorge Marinho. "Estamos disponibilizando para os diversos segmentos do varejo outros sites com guias de compras de equipamentos, produtos e serviços, uma central para recrutamento pessoal, informações tributárias e fiscais atualizadas diariamente e um calendário de eventos", conta Marinho.
O novo portal é um instrumento de democratização no relacionamento entre indústria e varejo diz Alexandre Pombo, gerente de comércio eletrônico da Microsoft Brasil. "A tecnologia torna-se uma grande aliada das empresas de pequeno e médio porte, reduzindo custos e ganhando vantagem competitiva para sobreviver", acrescenta. O executivo da VB & P-Brasil, Flávio Penna, avalia que os custos dos supermercadistas deverão cair entre 3% e 4%. Para se ter uma idéia do tamanho da estrutura já existente, no último ano, através apenas do EDI, o sistema recebeu 12 mil pedidos, movimentando R$ 600 milhões.


