Paris, 14 (AE) - Os "aliados" continuam quebrando a Sérvia: suas pontes, suas fábricas, suas refinarias, suas estradas. Por sua vez, os sérvios queimam todas as cidades, todas as aldeias de Kosovo. E, ao mesmo tempo, o Ocidente traça planos para a "reconstrução" de todos os lugares que os aliados estão destruindo.
Os alemães estão na vanguarda nesta reflexão a respeito do "pós-guerra". O chanceler Schr”der afirmou há poucos dias que é preciso prever um "Plano Marshall" para os Bálcãs. (O Plano Marshall, adotado em 1948 e que garantiu enorme ajuda financeira norte-americana para os países europeus, calcinados pela Segunda Guerra Mundial, foi aceito por 16 países europeus, mas rejeitado pelos comunistas que viam nessa ajuda gigantesca dos Estados Unidos uma forma de "colonização" da Europa pelos norte-americanos).
A questão parece prematura, pois os aviões continuam acumulando escombros. Mas os estudos já foram iniciados: no dia 27 de maio, terá lugar em Bonn, Alemanha, uma conferência internacional. Os documentos preliminares chegam a calcular o montante da ajuda internacional que será necesária para se proteger os Bálcãs de uma volta à Idade Média, ou talvez algo pior.
Os especialistas prevêem uma quantia considerável, de 20 a 30 bilhões de dólares. Mas trata-se de uma indicação sujeita a revisão, provavelmente uma revisão para mais: não nos esqueçamos que os países balcânicos, já martirizados pela guerra anterior (a da Bósnia), estavam exangues, exaustos, quando começaram os ataques da Otan: as bombas caíram portanto sobre uma região agonizante. Conclusão: no dia em que cessar o furacão, estaremos diante de dois países fantasmas, de dois ossários, a Sérvia e Kosovo.
Portanto, avança a idéia de criar um "Plano Marshall" para beneficiar estes países com dois mil anos de história que os aviões terão apagado. Todos estão de acordo em relação ao princípio: depois de ter moído alguém de tanta pancada, é educado ajudá-lo a levantar-se. Por outro lado, alguns países não gostam da denominação escolhida - "Um Plano Marshall para os Bálcãs".
A França detesta este nome que, a seus olhos, tem uma conotação muito americana. E existe ainda uma coisa: em 1947, quando as ondas de dólares inundaram os países destruídos pela Segunda Guerra Mundial, os Estados europeus, por mais fatigados e destruídos que estivessem, conservavam suas competências, suas administrações, suas culturas técnicas, suas tradições, de forma que estavam prontos a funcionar de novo, contanto que fossem "irrigados" por uma onda de dólares. De fato, isso foi o que aconteceu: a reconstrução desse continente aniquilado que era a Europa realizou-se com uma rapidez miraculosa.
A situação dos Bálcãs é bem diferente: em primeiro lugar, o ódio continua lançando uns contra outros em todos os Estados da região. Em segundo lugar, estes países não têm fortes tradições administrativas.
As "máfias" devastam vários Estados balcânicos (sobretudo a Albânia, mas também Kosovo e diversos vizinhos seus). Dar dinheiro é uma coisa viável. Mas o mais complicado é garantir que este dinheiro sirva para alguma coisa.
O exemplo da Rússia deverá causar calafrios aos financistas e políticos ocidentais. De 1991 a 1996, a Rússia recebeu anualmente quantias que representam 10% de seu PIB. É uma porcentagem impressionante, sobretudo se se lembrar que os países europeus receberam do Plano Marshall, entre 1948 e 1951, fundos anuais equivalentes a apenas 2% de seu PIB.
Ora, o que aconteceu? A Europa, com estes 2% se restaurou num ritmo veloz. A Rússia , com uma ajuda cinco vezes maior, continua a navegar à beira de um abismo.

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