Ocidente aumenta pressão para paz em Kosovo
Belgrado, 08 (AE-REUTERS) - O ministro de Exterior francês Hubert Vedrine, sublinhando a determinação internacional de manter a paz em Kosovo, voltou inesperadamente nesta segunda-feira (08) para as conversações entre sérvios e albaneses étnicos.
Vedrine deverá retornar amanhã com o secretário de Exterior britânico Robin Cook para reunir-se com ambas as delegações, que terão no máximo duas semanas para chegar a um acordo.
Hoje, o governo da Iugoslávia advertiu que não permitirá a entrada em Kosovo de tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
A aliança atlântica tem planos de enviar 35 mil homens a Kosovo, caso as conversações entre albaneses étnicos e sérvios, nas cercanias de Paris, cheguem a bom termo.
Se não houver acordo, a Sérvia sofrerá prolongado bombardeio aéreo, ameaçou a secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright. "Os ataques não vão se limitar a alvos militares sérvios", ameaçou ela ao confirmar a participação de quatro mil americanos numa eventual força expedicionária de paz da Otan.
Basicamente, o plano de paz apresentado às partes pelo Grupo de Contato prevê um período de transição durante o qual a província seria dotada de poderes executivo, legislativo e judiciário. Estabelece também a constituição de uma nova força policial etnicamente representativa, isto é, controlada por albaneses étnicos. O documento considera fundamental o acompanhamento das fases do acordo por uma força de paz.
"Essa proposta é horripilante", definiu um delegado sérvio. "Assinar isso é entregar parte de nosso território." Belgrado aceita conceder o que classifica de "autonomia substancial" a Kosovo, mas vai "impor" pelo menos 90 emendas no documento apresentado pelas seis potências. "Oferecemos uma ampla autonomia à província, desde que não se toque nas fronteiras atuais, não se estimule a secessão e não se criem fórmulas interinas que conduzam a ela", disse o primeiro-ministro iugoslavo, Monir Bulatovic.
A delegação albanesa também não gostou da proposta: exige um referendo sobre a independência do território ao fim de três anos. Em Kosovo, a violência continua. Mais quatro assassinatos de albaneses étnicos ocorreram hoje.





