Curitiba - Fotografias de pescadores tiradas nas décadas de 70 e 80 no litoral brasileiro mostram que o peixe mero – espécie da família da garoupa que vive em mares de fundo rochosos e alcança o impressionante tamanho de até três metros e 450 quilos – já foi comum no litoral do Paraná. Naquela época, pescadores posavam, orgulhosos, com até dez exemplares do peixe, capturadas em uma única pescaria.
Quase 30 anos depois, o mero está na lista mundial dos animais em extinção. No Paraná – cujo solo marítimo é 90% arenoso – o peixe desapareceu. Comum nas ilhas do litoral paulista e catarinense, onde viviam em maior número, tornam-se cada vez mais raros. No Brasil, esta situação não chega a espantar, uma vez que as autoridades nunca se preocuparam em fazer a defesa da espécie. O que impressiona é que mesmo em outros pontos do mundo, como a Flórida, no Sul dos Estados Unidos, onde a sua pesca é proibida há pelo menos dez anos, o mero continue desaparecendo.
Mas se depender do oceanógrafo Frederico Pereira Brandini, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que trabalha no Centro de Estudos do Mar, em Pontal do Paraná, no litoral do Estado, o mero pode voltar a repovoar o litoral brasileiro. Brandini, que é coordenador científico do Projeto Recifes Artificiais Marinhos, está desenvolvendo um projeto em defesa da espécie, a exemplo do Projeto Tamar, existente nacionalmente em defesa das tartarugas marinhas. ‘‘De tanto falar e fazer propaganda, o Tamar conseguiu conscientizar a população e hoje ninguém mais quer comer carne de tartaruga. Quero fazer o mesmo com o mero’’, diz.
Brandini e o biólogo Ariel Scheffer da Silva da Organização Não Governamental (ONG) Instituto Ecoplan, parceira do Centro de Estudos no projeto de Recifes Artificiais Marinhos, animaram-se com o projeto desde que constataram, há alguns meses que a simples colocação de estruturas de concreto – usadas como recifes artificiais – já conseguiram reter exemplares do peixe na costa litorânea do Paraná. O projeto dos recifes prevê a colocação destas formas de concreto ao longo da costa com objetivo de preservar a biodiversidade do mar e, ainda, impedir a pesca de arrasto no Litoral. Até agora já foram colocados 2 mil estruturas de concreto no Litoral.
A idéia é fazer uma parceria com a ONG Conservation Internacional, existente em diversos países. O oceanógrafo estima que serão necessários cerca de R$ 1 milhão, a serem usados principalmente em material educativo, como filmes para a televisão, notas em jornais, folders e outras publicações e pagamento de pessoal. O centro já possui grande parte da estrutura necessária, como barcos e equipamentos oceanográficos. ‘‘O principal, que são os meros, nós também já temos’’, diz Brandini.
Com o projeto e metas em mãos, a primeira fase do projeto será a marcação dos animais. Para isso, já está sendo desenvolvido um equipamento eletrônico que será implantado nos peixes. Com isso, eles pretendem fazer um censo da população, descobrir seus trajetos, hábitos e migrações. Dentro do projeto, o oceanógrafo também está trabalhando para que sejam criadas leis municipais e estadual para a defesa do mero.

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