São Paulo, 20 (AE-Dow Jones) - A crescente demanda, após o ano 2000, por cereais por parte das economias asiáticas afetadas pela crise deve impulsionar os preços do trigo e do milho entre 1999 e 2004, de acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em sua previsão para a agricultura no período de 1999-2004, a OCDE projetou que os preços mundiais de trigo devem se recuperar para US$ 153,00 por tonelada em 2004, ante US$ 117,00 em 98/99, enquanto os preços mundiais de milho devem subir para US$ 120,00 por tonelada.
A produção global de cereais deve crescer mais de 11% entre 1999 e 2004. A participação dos países da OCDE na produção global deve permanecer estável, ao redor de 40% no período, embora a produção global deva cair no começo do período devido aos menores preços. Depois do ano 2000, contudo, a expectativa é de que a produção mundial cresça cerca de 15 milhões de toneladas por ano, com o aumento dos preços mundiais.
A produção mundial de arroz deve crescer mais rápido do que o consumo no período, e os estoques resultantes devem restringir os ganhos de preços aos atuais níveis, a cerca de US$ 303,00 por tonelada. As exportações de cereais dos países da OCDE para países que não são membros da organização devem aumentar quase 10%, para cerca de 91 milhões de toneladas em 2004, comparada com a média das exportações entre 93 e 97.
As exportações de grãos forrageiros dos países da OCDE devem crescer 12%, para 83 milhões de toneladas em 2004. A diferença entre a demanda e a produção em muitos países em desenvolvimento deve crescer no período, aumentando a necessidade de importação, principalmente dos países da OCDE.
Contudo, inicialmente, o crescimento na demanda dos países extra-OCDE deve ser restrito devido a problemas financeiros, principalmente na ásia, Rússia e Brasil. Dos principais exportadores mundiais de cereais, os Estados Unidos, Austrália e Argentina devem aumentar sua participação no comércio enquanto União Européia e Canadá devem ter queda na participação.
A produção crescente de culturas geneticamente modificadas e as preocupações cada vez maiores com segurança alimentar e com o ambiente devem aumentar a necessidade de segregação do produto no período. Isso pode aumentar as dificuldades na comercialização a menos que um acordo entre os países seja alcançado logo. A OCDE tem 29 países-membros, incluindo alguns dos principais exportadores mundiais, tais como EUA, Canadá, Austrália, França, Reino Unido e Nova Zelândia.

mockup