Brasília - O ministro da Saúde, Gilberto Occhi, anunciou para esta terça-feira (20) a publicação de um edital para preencher cerca de 8.500 vagas de médicos cubanos que começaram a deixar o País após a saída de Cuba do programa Mais Médicos. A determinação de publicação do edital foi assinada durante evento da CNM (Confederação Nacional dos Municípios) com o presidente Michel Temer, em Brasília.

A partir das 8 horas desta terça, médicos brasileiros ou estrangeiros com inscrição no CRM (Conselho Regional de Medicina) poderão entrar em um sistema e selecionar as vagas de interesse que, conforme Occhi, suprirão a necessidade de municípios em áreas urbanas, rurais e distritos indígenas.

Na semana que vem, um segundo edital será publicado para ampliar a inscrição a médicos brasileiros e estrangeiros formados no exterior. "Todos os médicos, inclusive os cubanos, poderão optar em permanecer e participar dessa seleção", afirmou o ministro da Saúde.

O ministro afirmou que há aproximadamente 17 mil médicos formados no exterior esperando o edital e um "número expressivo" de brasileiros com CRM na mesma expectativa. Ele citou a discussão de implantação de um novo Revalida para médicos brasileiros formados no exterior. "A determinação do presidente Temer é que tenhamos o menor impacto possível na ausência de qualquer médico cubano que possa a partir da semana passada já ter saído." O Ministério da Saúde fechará as vagas que já tiverem sido escolhidas e não permitirá que mais profissionais disputem a mesma vaga em um município.

Temer prometeu que nenhum município ficará "desprovido" após a saída de Cuba do programa Mais Médicos e que não haverá ausência de profissionais em cidades brasileiras. Ele afirmou que a atitude do governo "vai dar emprego a mais de 8.000 médicos brasileiros e não vai deixar desprovido nenhum município brasileiro". "Vocês verão que não haverá, quando as vagas se verificarem, não haverá ausência porque imediatamente será preenchido por médicos com CRM brasileiro, ou médicos com CRM obtido no estrangeiro, ou ainda com médicos estrangeiros com CRM brasileiro", disse o presidente.

Para o vice-presidente eleito, Hamilton Mourão, o retorno dos médicos cubanos ao país de origem após rompimento do acordo entre Cuba e Brasil no programa Mais Médicos não deve ser tão rápido assim, por questões logísticas. Ele se arriscou a dizer que metade dos profissionais poderá permanecer do Brasil. "Posso até ser leviano aqui, mas acho que talvez a metade (dos médicos cubanos) não volta. Acho que eles gostam do nosso estilo de vida", acrescentou.(Colaboraram Luisa Marini e Breno Pires)

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