Ankara, 07 (AE-AP) - O líder rebelde curdo condenado à morte pela justiça da Turquia, Abdullah Ocalan, voltou a pedir ao governo de Ankara que aceite sua oferta de paz. Ele também fez um alerta de que poderia perder o controle sobre os rebeldes curdos se não houver nenhum progresso, informaram seus advogados nesta quarta-feira (07). Numa carta escrita de sua cela na prisão, Ocalan ainda criticou a ausência de esforços da Turquia em direção ao reconhecimento dos direitos de seu povo - cerca de 12 milhões de curdos vivem no país e não são nem mesmo reconhecidos como minoria oficial; educação e meios informativos na língua curda são proibidas. Durante todo julgamento, Ocalan disse que o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) tinha renunciado à sua reivindicação para um estado independente ou autônomo e que agora trabalharia para aumentar os direitos dos curdos no país. "Neste momento, tenho o poder de colocar um fim nesta guerra, mas se isso continuar dessa forma, o controle pode ser perdido"
escreveu Ocalan. O líder do PKK disse ainda que muito pouco foi feito por parte do governo da Turquia para encontrar uma solução para a questão curda. "Todos falam dos problemas dos direitos humanos, democracia e a economia. Eles (turcos) nunca fizeram nem passos de tartaruga em direção à uma solução, contudo, eles correram para colocar uma corda em meu pescoço", continua a carta. Os rebeldes do PKK, aparentemente desconsiderando o apelo de Ocalan pelo fim da violência, têm realizado uma série de ataques desde que seu líder foi sentenciado à morte. Ontem (06) à noite, um rebelde curdo foi morto a tiros quando preparava-se para explodir o próprio corpo em frente a um distrito policial na cidade Batman, região sudeste da Turquia. Além disso, o Partido Democrático do Curdistão (PDK), de Massud Barzani, anunciou hoje (07) ter capturado há alguns dias três membros da guerrilha curda do PKK que estavam preparando um "ataque terrorista" ao norte do Iraque. Tal ataque teria sido ordenado pelo irmão de Abdullah Ocalan, Osman, que supostamente encontra-se no Irã. Ferhat Barzani, representante do PDK em Washington, disse à agência de notícias Anadolu que os três terroristas foram capturados com armas e granadas. De acordo com Barzani, o atentado, iria ser realizado na cidade de Arbil, onde está a sede da administração curda autônoma. Ele acredita que os três rebeldes receberam o ordem de Osman Ocalan e que conseguiram as armas em Suleymainye, capital da região curda controlada pela União Patriótica do Curdistão (PUK), de Jelal Talabani - acusado pelo PDK de continuar apoiando o PKK, indo contra o acordo acertado com Washington.

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