São Paulo, 29 (AE) - O líder curdo Abdullah Ocalan foi condenado à morte nesta terça-feira (29) , após ter sido considerado culpado de traição e assassinato por uma corte turca. Ocalan estava sendo julgado numa ilha-prisão da Turquia desde o dia 31 de março por ter liderado o exército de rebeldes curdos que luta pela independência no sul do país. Os advogados de defesa afirmaram que irão apelar da sentença. Depois disso, se o veredito for mantido, a sentença de morte por enforcamento deverá ainda ser ratificada pelo parlamento turco e aprovada pelo presidente. Diversos soldados ficaram de guarda do lado de fora da corte enquanto o veredito era anunciado. Além disso, precauções foram tomadas para evitar possíveis sequestros de aviões e ataques a embaixadas e aeroportos. Na quarta-feira passada, um dia antes de seus advogados fazerem os últimos pronunciamentos em sua defesa, Ocalan avisou a corte que seus aliados responderiam de forma violenta se ele fosse condenado e executado. Em seu apelo final à corte, Ocalan voltou a prometer ajudar na confecção de um acordo de paz entre os curdos e o governo turco após 15 anos de conflitos se sua vida fosse poupada. Os demais líderes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão também disseram que apoiariam os esforços pela paz se seu líder não recebesse a pena de morte. Diversos parentes de vítimas do conflito entre a Turquia e os curdos, que matou mais de 37 mil pessoas, foram à ilha-prisão para pedir pela morte do líder rebelde. Ocalan respondeu dizendo que executá-lo não resolverá o problema dos curdos na Turquia. Apesar do país ser adepto da pena de morte, ninguém é executado lá desde 1984. Carolina Ribeiro

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